segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Eficiência energética no setor imobiliário

Brasil - Reportagem publicada na revista O Setor Elétrico, na edição de outubro, explica a importância do certificado LEED de sustentabilidade para os edifícios
 
Brasil - Presente em 131 países, o selo de eficiência energética LEED comprova a sustentabilidade de um empreendimento através da verificação de diversos critérios que visam à redução dos impactos ambientais durante o período de obras e durante a operação do edifício, sendo um desses critérios, a eficiência energética.

Isso porque o setor imobiliário é responsável pelo consumo de 41% da energia elétrica gerada. No Brasil, de acordo com matéria publicada na Revista O Setor Elétrico, na edição de outubro, é preciso ainda que o mercado passe por algumas mudanças nas normas e regulamentações vigentes. Além da redução do consumo e da diminuição dos impactos ambientais, algumas medidas, como o melhor aproveitamento da iluminação natural, podem ajudar a reduzir o consumo energético e a aumentar o grau de sustentabilidade dos edifícios.
Clique no link abaixo e leia a reportagem na íntegra
Revista_O_Setor_Eletrico_10.11_Certificado_LEED.pdf
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Eletricidade sem fios recarrega veículos elétricos rodando

Eletricidade sem fios recarrega veículos elétricos rodando

















 
Os protótipos do OLEV, com um aspectro dos  "trenzinhos 
da alegria" usados para passeios com crianças, escondem 
uma das mais avançadas tecnologias de veículos elétricos 
já lançados.

Transporte verde

A Coreia do Sul não está satisfeita em colocar apenas seus carros em mercados do mundo todo.

Uma nova tecnologia de "transporte verde", criado por engenheiros do instituto KAIST, acaba de ser licenciada e deverá estrear brevemente nas ruas da cidade de McAllen, no estado do Texas (EUA).

O veículo, uma espécie de trólebus, foi categorizado pelos seus criadores como um OLEV (On-line Electric Vehicle).

Eletricidade sem fios

O "autobonde" é inteiramente elétrico, mas com um detalhe que pode fazer a diferença, e que responde pelo termo on-line em seu nome: ele não precisa parar para recarregar suas baterias.

A energia elétrica necessária para recarregar as baterias do OLEV é suprida continuamente sem fios, por meio de um campo magnético criado por fios instalados sob o asfalto.

Esse sistema de suprimento de eletricidade sem fios chama-se SMFIR - Shaped Magnetic Field in Resonance, campo magnético estruturado em ressonância, em tradução livre.

Os engenheiros coreanos afirmaram já estar trabalhando para adaptar esse sistema de recarga de baterias sem fios para outros tipos de veículos elétricos, para equipamentos eletrônicos e também para uso industrial.

Rodovia eletrônica

"Este projeto vai demonstrar a eficiência total de usar a tecnologia de recarregamento em trânsito para criar uma verdadeira 'rodovia eletrônica', assim como um meio barato de converter os ônibus a diesel atuais por veículos elétricos," disse Hikyu Lee, membro da equipe de desenvolvimento do OLEV.

O primeiro OLEV deverá estrear nas ruas de McAleen no início de 2013, já sem o aspecto de "trenzinho da alegria" visto nos protótipos.

A Alemanha também já apresentou o seu autobonde elétrico, que também dispensa os trilhos e os cabos dos trólebus, mas ainda depende do sistema tradicional de recarga das baterias.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

USP - Campus vai ganhar novo sistema de iluminação

G1
O campus da Universidade de São Paulo (USP), na Zona Oeste da capital paulista, deverá receber um novo sistema de iluminação em 2012. O projeto prevê a instalação de sete mil pontos de luz em toda a Cidade Universitária. Atualmente, existem pouco mais de 3 mil e de tecnologia obsoleta.


Segundo a USP, a nova iluminação terá como objetivo garantir maior segurança aos pedestres e motoristas que circulam pelo campus. 

O edital licitatório deve ser lançado ainda neste mês de dezembro. A instituição disse esperar que até o final de 2012 todo o projeto tenha sido implantado.

A iluminação deficiente na Cidade Universitária é uma das reivindicações dos alunos, que reclamam de assaltos. No dia 28 de outubro, alguns universitários da USP entraram em confronto com a Polícia Militar, após a detenção de três estudantes. Segundo a PM, eles estavam com maconha.

A partir deste dia, uma série de protestos contra a presença da PM no campus teve início, culminando com a invasão da reitoria da universidade. Eles alegam que não é atribuição da Polícia Militar patrulhar a Cidade Universitária.

A má iluminação do campus é um dos poucos pontos de comum acordo entre os estudantes que apoiam os protestos e os que são contra. Um grupo de universitários chegou a fazer uma passeata a noite com velas e lanternas, para mostrar as vias sem luz. 

De acordo com os alunos, as ruas menos iluminadas facilitam a ação de criminosos. Segundo a instituição, o projeto para a renovação da iluminação foi aprovado em julho deste ano, antes mesmo dos protestos começarem.

Economia

Outro objetivo da reformulação é reduzir a quantidade de energia gasta atualmente. A universidade informou que, apesar do aumento do número de pontos iluminados, a economia de energia será de até 15%. 

Lâmpadas de luz branca e de led deverão ser utilizadas, além de tecnologias que usam a energia solar como fonte de alimentação.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uso do carro elétrico em larga escala exigiria cinco hidrelétricas como Belo Monte


Estudo aponta energia necessária para substituir toda a frota nacional e pede cautela quando à inovação automotiva

Da redação





Com montadoras apresentando cada vez mais modelos de carros elétricos e as primeiras experiências com veículos do tipo já em andamento, o assunto tem chamado a atenção no Brasil e está, inclusive, na pauta da presidente Dilma Rousseff, que pediu um estudo sobre a viabilidade da tecnologia. 

A consultoria Andrade&Canellas, porém, se adiantou e divulgou nesta segunda-feira (5/12) alguns dados provenientes de pesquisas sobre o tema.

De acordo com os cálculos da empresa, a substituição dos veículos hoje em circulação no Brasil por modelos elétricos exigiria que o parque gerador produzisse mais 190.108GWh por ano. Colocando isso em termos práticos, seriam necessárias mais cinco hidrelétricas do porte de Belo Monte ou três como Itaipu.

“Em princípio, os veículos elétricos são opções interessantes para descarbonização da matriz de transportes. Mas é preciso atenção porque a eletricidade para abastecê-los terá de ser produzida de alguma forma, o que exigirá investimentos significativos no parque gerador e na infraestrutura de transmissão e distribuição”, afirma a gerente do Núcleo de Energia Térmica e Fontes Alternativas da Andrade & Canellas, Monica Rodrigues de Souza.

A análise é baseada em dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) - que apontam para uma frota de 39 milhões de veículos leves emplacados. Cada um deles consome em média 1,4 toneladas equivalentes de petróleo (tep) por ano, o que resulta num gasto total de 54 milhões de tep. O volume deve-se, em parte, ao desempenho dos motores a combustão interna, que trabalham com níveis de eficiência médios de apenas 27%

Nos motores elétricos, a eficiência é da ordem de 90%. Nesse caso, a conversão para eletricidade faria o consumo total cair para pouco mais de 16 milhões de tep por ano, o que equivale aos 190.108GWh estimados pela Andrade&Canellas. A consultoria compara o número com o fato de que Itaipu produziu 71.744GWh em 2010, enquanto Belo Monte deve gerar 39.360GWh quando estiver funcionando a plena carga.

“O Brasil deve ampliar de maneira muito consistente a produção de petróleo nos próximos anos. Diante desse fato e da disponibilidade de etanol a custo competitivo no país, a questão do carro elétrico precisa ser avaliada de maneira ampla, não apenas como uma panaceia que resolverá todo o problema da mudança climática”, aponta Monica, que ressalta que é preciso considerar os impactos ambientais das fontes de energia - fósseis ou renováveis.

Norma indica como obter economia no dimensionamento de condutores

SIL destaca que a escolha de condutores elétricos com base na NBR 15920 pode reduzir o custo da energia em instalações de baixa e média tensão

Sem dúvida, o ponto primordial de uma instalação elétrica é que ela atenda plenamente as necessidades do usuário com qualidade e segurança. No entanto, outros fatores têm conquistado espaço no mercado, como a busca por eficiência energética. Assim, além de projetos bem dimensionados, cresce o volume de soluções capazes de baixar o consumo de eletricidade, mantendo um alto nível de performance.

Nesse contexto, a SIL – uma das principais fabricantes brasileiras de fios e cabos destinados às instalações elétricas com tensões até 1kV (baixa tensão) – observa que mais um passo importante foi dado na busca por mais eficiência nas instalações. Dessa vez, o avanço ocorreu na parte normativa, com a publicação, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), da norma NBR 15920: “Cabos elétricos – Cálculo da corrente nominal – Condições de operação – Otimização econômica das seções dos cabos de potência”.

Mais que uma simples norma, esta NBR surge como ferramenta eficaz para a escolha econômica dos fios e cabos com base em perdas elétricas por aquecimento, chamado de efeito Joule, que ocorre quando a corrente elétrica percorre o condutor e transforma energia elétrica em energia térmica. Ela aplica-se para o dimensionamento em instalações de baixa e média tensão que utilizam cabos isolados em PVC até 6kV e em EPR e XLPE para tensões maiores.

A NBR 15920 não substitui as tradicionais normas de instalações elétricas, como a NBR 5410. Ao contrário, ela chega para somar. “No dimensionamento tradicional de uma instalação elétrica, feito de acordo com a NBR 5410, a capacidade máxima de corrente de uma seção nominal é baseada na máxima temperatura de operação do isolante, sendo que no caso de condutores isolados de PVC, a temperatura máxima de 70ºC; já nos cabos isolados em EPR ou XLPE, a temperatura máxima de 90ºC. Além dessa capacidade máxima, outros fatores que fazem baixar esse valor máximo de corrente em um circuito específico devem ser levados em consideração, entre eles, a temperatura ambiente e o agrupamento de condutores. A NBR 15920 traz mais uma variável a esta análise, que é o custo das perdas por efeito joule durante a vida útil do condutor”, explica Nelson Volyk, gerente de engenharia e qualidade da SIL.

Vantagens a médio e longo prazo


Uma das principais características da NBR 15920 é que, em lugar de considerar apenas o montante inicial investido na aquisição dos condutores elétricos, ela permite que o profissional que irá executar o projeto avalie também os custos originários das perdas de energia por efeito joule, decorrentes das temperaturas operacionais permitidas pelos materiais isolantes durante toda a vida útil do condutor. Em outras palavras, essa nova norma possibilita ganhos econômicos ao longo do tempo, sem abrir mão da segurança e qualidade da sua instalação.

“Uma seção nominal maior do que aquela que seria escolhida baseada apenas no mínimo custo inicial conduz a uma menor perda de energia por efeito joule para a mesma corrente. Quando considerado pela duração de sua vida útil, fica evidente a economia”, comenta Volyk, lembrando que a seção econômica do condutor é aquela obtida quando a soma dos custos futuros das perdas de energia com os custos iniciais de compra e instalação são minimizados.

Cálculo da seção

A NBR 15920 apresenta dois métodos para o cálculo da seção econômica, sendo que ambos seguem os mesmos conceitos financeiros. O primeiro baseia-se em uma condição de instalação específica: é feita a análise para uma série de seções de condutores e calcula-se uma gama de correntes econômicas para cada uma das seções de condutor. Então, é selecionada aquela cuja faixa contém o valor requerido para a carga.

O segundo método é mais adequado quando apenas uma instalação está sendo analisada e dimensionada. Ele consiste em calcular a área da seção transversal ótima para cada carga exigida. A partir daí, é possível selecionar a seção nominal do condutor mais próxima.

Em uma instalação residencial, as seções de condutores de tomadas de uso geral e iluminação seguem os critérios definidos na NBR 5410. “Portanto, as residências não são o principal foco da NBR 15920, que tem como prioridade as instalações de maior consumo de energia. Importante ressaltar que esta norma não é simples e seus cálculos são complexos”, informa Volyk.

Perfil SIL

A SIL Fios e Cabos Elétricos, empresa com 37 anos de atuação no mercado brasileiro, conta hoje com 420 funcionários e 60 representantes em todo o País. Sua sede está instalada num terreno de 30.000 m2, localizado em Guarulhos (SP), e possui filial em Joinville (SC), com terreno de 2000 m², onde são produzidos vergalhões de cobre eletrolítico, principal matéria-prima de seus fios e cabos elétricos.


Seus parques fabris possuem equipamentos de última geração e a empresa tem capacidade instalada para processar 23 mil toneladas/ano de cobre. A SIL prioriza o crescimento sustentável e a expectativa para 2011 é de que a empresa registre um crescimento de faturamento 15% superior ao atingido em 2010.

Seriedade na política de atuação e na relação com seus parceiros e fornecedores, com metas e diretrizes honestas, somadas às iniciativas como avanços tecnológicos, rigoroso controle de qualidade, valorização profissional e respeito ao consumidor, fazem com que a SIL seja reconhecida como uma das principais empresas brasileiras na área de fios e cabos destinados às instalações elétricas com tensões até 1 kV (baixa tensão) e de cabos para transmissão de áudio e transmissão de sinal de vídeo.

SIL Fios e Cabos Elétricos

Tels.: (11) 3377.3333 – SAC 0800 55 0008

www.sil.com.br

Fonte:
Informações para imprensa:
Regiane Damasceno – regiane@viapublicacomunicacao.com.br
Inês Cardoso - ines@viapublicacomunicacao.com.br
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Eficiência Energética: um panorama da América Latina

EEF LatAm - Fórum de Eficiência Energética que aconteceu de 21 a 23 de novembro, em São Paulo, mostrou experiências de países da região no desenvolvimento de ações, projetos e programas voltados para a redução do consumo energético


Pedro Aurélio Teixeira, para o Procel Info

Discutir o controle do consumo de energia, seu uso racional e os caminhos a serem adotados foi o objetivo do EEF LatAm - Fórum de Eficiência Energética, realizado em São Paulo, de 21 a 23 de novembro. O fórum trouxe experiências de importantes representantes dos setores público, industrial, comercial e de serviços da América Latina em eficiência energética e racionalização de consumo de energia.

O pleito do superintendente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Máximo Pompermayer, para que haja uma melhor distribuição dos recursos do Programa de Eficiência Energética das Distribuidoras, foi encampado por vários participantes. Hoje, as distribuidoras devem destinar 60% desses recursos para consumidores da tarifa social. Segundo Pompermayer, essa determinação desvia a finalidade da lei, tira recursos das outras classes e aponta que os maiores desperdícios não estão na baixa renda. 

"Os extremos de pobreza estão diminuindo, há distribuidoras no Nordeste que ainda conseguem destinar esse percentual, mas algumas regiões não têm essa proporção grande. Estamos tentando uma mudança com parlamentares, mas é difícil", afirma.

O panorama da eficiência energética na América Latina é bastante diversificado, segundo Fernando Perrone, chefe do Departamento de Projetos de Eficiência Energética do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica). 

Para ele, o Brasil exerce um papel de liderança junto com o México. "Nos últimos anos, alguns países, principalmente da América do Sul, vem desenvolvendo ações de eficiência energética, mesmo sem nenhum deles ter metas de redução de consumo por meio de programas de eficiência", conta. 

A Argentina tem o URE (Uso Racional de Energia), o Brasil tem o Procel e o Conpet, o Chile tem o PPEE (Programa País Eficiência Energética), a Colômbia tem o Pro-Ure, além de programas em outros países como México, Costa Rica, Peru, Cuba e Uruguai. "Esses países geralmente enfrentam obstáculos específicos, tanto na esfera pública quanto na privada. Há uma defasagem na indústria, falta de capacitação técnica e inexistência de fontes de financiamento, além de uma falta de marcos regulatórios", observa.

Perrone aposta em um decreto ainda em desenvolvimento pelo governo federal que visa transformar as compras públicas como divisor de águas na eficiência energética. "O projeto vai estabelecer medidas para a administração pública federal diretamente ou indiretamente adquirir equipamentos com o Selo Procel ou Selo Conpet para todas as compras feitas", afirma. Ele alerta ainda que é necessário um olhar sobre o consumo nas indústrias e edificações. "Mais de 90% do consumo vem desses dois setores", observa.

A América Latina é um mercado de 500 milhões de consumidores em que há déficit de aplicações de ações de eficiência energética. A necessidade de existir um fórum para discutir o tema na região motivou a criação da Rede Latino-Americana e do Caribe de Eficiência Energética (RED-LAC-EE). Segundo George Soares, assessor da diretoria de Transmissão da Eletrobras, empresa que representou o Brasil na criação da Rede, ela quer ser uma caixa de ressonância sobre ações executadas no setor.

"Nos últimos anos, alguns países, principalmente da América do Sul, vem desenvolvendo ações de eficiência energética, mesmo sem nenhum deles ter metas de redução de consumo por meio de programas de eficiência", diz Fernando Perrone, do Procel
"A Rede é um ambiente público-privado que fomenta e facilita a integração permanente dos países da América Latina e do Caribe, sendo o ponto de encontro dos especialistas do assunto e dos setores público e privado, agregando valor à atividades de eficiência energética na Região", comentou.

A ideia da criação da RED-LAC-EE veio em 2007, em um seminário de políticas públicas de eficiência energética na América Latina. "Lá percebemos que deveria se criar um fórum. Depois outro seminário no México em 2010 confirmou esta necessidade, daí criamos um comitê transitório para sua implementação", conta Soares. Ele explica que a Rede também vai servir de repositório de experiências. 

"Se você quiser saber o que o Chile fez na década de 80 em eficiência energética dificilmente vai encontrar um lugar que tenha", confessa. A Rede é um ambiente aberto à colaboração do setor privado e vai facilitar aos governos o acesso à políticas públicas de outros países, conhecendo ações que deram certo e as que deram errado.

O assessor da Eletrobras esclarece que a RED-LAC-EE não compete com outros agentes regionais, tampouco vai ser desenvolvedor de projetos. A Rede foi lançada em agosto deste ano na República Dominicana. Participaram 19 países latino-americanos e do Caribe, além de agentes do setor privado. Ela ficará abrigada na Organização Latino-Americana de Energia (Olade) nos próximos dois anos.

"A Rede já tem 257 participantes e trará benefícios para a sociedade. Existem países que são desenvolvidos em eficiência energética, porém há outros em que estas atividades estão começando. A sinergia reduz tempo e recursos financeiros, observa.

O Fórum também ouviu sugestões para o desenvolvimento de projetos e abordou vários cases de eficiência energética. Manoel Gameiro, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), alerta para o fato de a refrigeração chegar a consumir até 50% da energia de alguns prédios e que o retrofit feito em algumas unidades conseguiu uma economia de 50% nesse mesmo consumo. "Existe um grande número de prédios mais antigos que são mais eficientes que os modernos. Vai vir uma grande geração de retrofit de projetos nesse sentido", adverte. 

Ele também alega que a eficiência energética não deslanchou no setor industrial porque ainda não foi feito um modelo de financiamento correto. "Só há financiamento para o curto e médio prazo. O longo prazo seria a melhor escolha, junto com a redução de algumas alíquotas", confessa. 

A empresa Nossa Caixa Desenvolvimento se propôs a impulsionar a eficiência energética com a Linha Economia Verde, financiamento destinado à adequação de empresas às metas da Política Estadual de Mudanças Climáticas, com a qual deverão ser reduzidas em 20% as emissões de gases de efeito estufa. A Linha oferece dez anos de prazo e contempla projetos nas áreas de eficiência energética, manejo de resíduos, construção civil e elaboração de projetos e mecanismos de desenvolvimento limpo.

Retrofit de iluminação e ganhos de eficiência

Retrofit é o termo usado para designar um processo de remodelação ou de modernização. 

Na “Wikipédia”, fala-se ainda em adaptação tecnológica, ou em revitalizar e atualizar construções. 

Enfim, o termo é de uso corrente na engenharia e arquitetura e especificamente na Iluminação. O retrofit extrapola o sentido de reforma, pois não é apenas uma restauração ou um retorno ao estado original de um edifício no início de sua vida útil. 

Ele propõe novas soluções que podem mudar totalmente as características originais. Antigos centros metropolitanos como o Rio de Janeiro e São Paulo apresentam oportunidades interessantes ao desenvolvimento desta técnica.

O retrofit de iluminação pode ser uma simples substituição de lâmpadas com a finalidade de tornar o sistema existente mais eficiente (aumento do nível de iluminação, com menor consumo de energia). 

Neste caso, não se mudam as luminárias. Em geral, a qualidade do sistema de iluminação está relacionado não tanto com a lâmpada que está sendo usada, mas muito mais com a luminária e o posicionamento da mesma. Sendo assim, este retrofit mais simples não atua na melhoria da qualidade.

Um segundo tipo de retrofit que pode ser feito seria a substituição de luminárias por modelos mais eficientes e o reposicionamento das mesmas. Este estudo deverá partir de premissas relacionadas ao atual uso do espaço. Com o passar dos anos, os edifícios mudam seus layouts e mudam até mesmo o tipo de atividade desenvolvida no local. 

Existe uma grande rotatividade de empresas nos centros urbanos. A globalização levou as empresas a se movimentarem pelo mundo em um curto espaço de tempo e as atividades por elas exercidas mudam o tempo todo. Os edifícios comerciais precisam então estar preparados para estas mudanças. A iluminação precisa ser dinâmica e também eficiente.

Como na arquitetura, um projeto de iluminação precisa de um partido a partir do qual o projeto irá se desenvolver. Vamos exemplificar:

Uma loja pode estar atualmente sendo iluminada por dicroicas de 50w, as mais comuns. O lojista acha que está gastando muita energia e gostaria de diminuir sua conta de luz, a partir de um retrofit de lâmpadas. Então podemos propor a troca das mesmas por dicroicas de 30w. Veja o que acontece:






Assim como nas lojas pode-se fazer o mesmo tipo de retrofit em escritórios e em indústrias, ou até mesmo numa residência.

Os fabricantes de lâmpadas estão muito atentos a esta questão de redução do consumo, além de preocupações com critérios de sustentabilidade de seus produtos. Segundo informação extraída do site da Osram, o consumo de energia com iluminação artificial é responsável por cerca e 19% do consumo mundial com eletricidade. Portanto, reduções de cerca de 30% em edifícios comerciais ou em indústrias pode ser significativo num ambito global. 

A legislação ambiental sobre iluminação está se tornando cada vez mais rigorosa. Foram criadas as diretivas EuP, EPBD e WEEE, que deverão ser cumpridas internacionalmente.

A EuP (Energy using Product) relativa ao ecodesign, recomenda o uso preferencial de equipamentos que tenham sido produzidos com um menor desperdício de energia e que também durante seu uso sejam econômicos. Esse assunto está diretamente ligado a necessidade de sustentabilidade.

A EPBD (Energy Performance Building Directive) que tem como objetivo classificar e certificar os edifícios comerciais pelos critérios de eficiência energética.

A WEEE (Waste from Electrical and Electronic Equipament) que recomenda a coleta e reciclagem das lâmpadas e reatores, responsabilidade do fabricante que deverá preocupar-se não só em vender mais e mais lâmpadas, mas também que destinos estas terão ao final de sua vida útil.


Veja o gráfico de critérios de sustentabilidade:
  
Gráfico extraído do site www.osram.com



A tecnologia led é a última palavra em retrofit. As lâmpadas de led são extremamente econômicas e apresentam uma vida útil mais longa. Em situações em que as luminárias fiquem acesas por um longo período de tempo, estas fontes luminosas são as ideais.

Existem modelos com bocal E27 para substituirem as tradicionais incandescentes, com um ganho de eficiência de cerca de 80%.

Pequenos leds em formato para substituição de halógenas bipolares de 12v, usadas em balizadores. Além do ganho de eficiência, elimina-se o problema de calor. Em geral, os balizadores são instalados numa altura baixa, facilmente alcançado pelas crianças.

Também podem ser encontrados leds encapsulados num formato de lâmpada fluorescente com soquetes compatíveis. Este modelo será a melhor opção para a redução de consumo na iluminação de escritórios e grandes lojas.

A necessidade de retrofit torna-se urgente e definitiva em todo o planeta. Normas estão sendo implantadas em todas as nações - cada uma com seu prazo - com a finalidade de restringir a fabricação das lâmpadas incandescentes convencionais (com filamentos de tungstenio que aquecidos emanam 90% de calor e apenas 10% de luz). 

Isso significa desperdício da energia dispendida neste processo e ainda a geração de calor excessivo para o ambiente, aumentando a necessidade do uso do ar condicionado, cujo consumo de energia é também uma preocupação.

Na Austrália, as lampadas incandescente de 40w já não são mais produzidas desde 2010. Na União Européia, o prazo é 2012 e nos EUA, 2013. Aqui no Brasil, o governo pretende eliminá-las do mercado até 2016, conforme divulgado no site Planeta Sustentável, da editora Abril.

Veja um comparativo de lâmpadas incandescente, fluorescente e led:


Gastos estimados, ao longo de cinco anos, para uma casa com vinte pontos de luz e utilização média de dez lâmpadas acesas durante seis horas:

Incandescentes
Fluorescentes
Led
Invest. Inicial
R$36,00
R$700,00
R$1500,00
Potencia Media
60W
18w
8w
Consumo de energia
6480 Kwh
1.944Kwh
1.080Kwh
Lamp.trocadas
110
14
-
Gasto c/ energia
R$2.628,00
R$778,00
R$345,00
Gasto c/lampadas
R$195,00
R$140,00
-
Gasto Total
R$2.859,00
R$1.618,00
R$1.845,00
* Inclui os reatores



 
Dados extraídos do site www.planetasustentavel.com.br

De onde conclui-se que o custo do led ao longo de 5 anos fica muito pouco mais caro do que o sistema de iluminação fluorescente, e a tendência é que cada vez mais estes valores se aproximem até que o gasto com retrofit de led seja igual ou menor que o de fluorescente.

A eficiência de uma lâmpada é medida em lumens por watt, ou seja, quanto a lâmpada produz de luz (em lumens) dividido pelo seu consumo (em watts).

Veja o que dizem as tabelas do Imetro e Procel em relação a incandescente versos fluorescente:
- Uma lampada incandescente soft de 100w, bocal E27, amostra do fabricante Osram, produz 1510 lumens, portanto tem uma eficiência de 15,1 lm/w e tem vida útil de 750 horas;

- Uma lampada fluorescente compacta de 26w, 2700K, amostra do fabricante FLC, produz 60 lm/w e tem vida útil de 2700 horas.

São estes dois aspectos, eficiência e vida útil, que darão parâmetro para a escolha da lâmpada. Outro aspecto é o custo. Como observa-se na tabela acima, o custo inicial de uma lâmpada de led é muito alto, mas em compensação a troca de lâmpada é nula, pois a vida útil é de cerca de 10.000 horas.

Pensando em todos os aspectos: custo, vida útil, nível de iluminação resultante, qualidade de iluminação resultante, adequação ao uso do ambiente, o lighting designer poderá fazer as melhores recomendações de retrofit.

Por: Ana Cristina Alvarez - Arquiteta com mestrado em conforto ambiental