quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Bandeira tarifária vem para mudar a cultura do consumidor de energia brasileiro

Nova sistemática será testada a partir de 2013, refletindo o real custo da energia mês a mês

Por Wagner Freire



A aplicação das chamadas bandeiras tarifárias a partir de 2013 deve contribuir para mudar a cultura do consumidor de energia elétrica no Brasil. Elas funcionarão como um semáforo de trânsito e refletirão a diferença de tarifa para o consumidor a cada mês.


A resolução que regulamenta a nova sistemática foi aprovada no dia (18/12/2012) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

Os testes iniciarão no ano que vem e, a partir das simulações, ajustes poderão ser feitos na metodologia que, de fato, entrar em vigor em definitivo em 2014.

"Isso muda a cultura que o consumidor está acostumado", afirmou o diretor executivo da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Lúcio Reis. Ele disse que a nova sistemática de tarifação é positiva, pois traz de imediato o custo real da energia naquele mês para o consumidor.

Na avaliação de Reis, essa imediata sinalização do custo da energia obriga o consumidor a fazer um trabalho de gestão do uso da energia, promovendo a eficiência energética, o que resultará em economia de energia. 

“É uma novidade que não é muito simples, mas é por isso que nos estamos fazendo um teste”, disse o diretor da Anace. "Independente das dificuldades, precisamos testar."

Serão três tipos de bandeiras. 

A bandeira verde corresponderá aos intervalos de valores do Preço de Liquidação das Siferenças (PLD) e do Encargo de Serviços do Sistema por Segurança Energética (ESS_SE) até R$ 100,00/MWh. 

Já a amarela será caracterizada pela incidência de R$15,00MWh sobre a bandeira verde. 

Seu acionamento de dará para intervalos de valores de PLD e ESS_SE entre 100,00/MWh e 200,00/MWh. 

E a vermelha se caracterizará pela incidência de R$ 30,00/MWh sobre a bandeira tarifária verde. 
Seu acionamento se dará quando a soma do PLD e ESS_SE ultrapassar R$ 200,00/MWh.

As bandeiras poderão se alternar a cada mês, muito a depender do nível dos reservatórios das hidrelétricas, das afluências previstas e da quantidade de usinas térmicas que estão sendo acionadas em determinado período. 

As distribuidoras são obrigadas a informar na conta de luz qual bandeira está sendo aplicada naquele mês. 

Antes das bandeiras, o custo da energia só era refletido na tarifa no ano seguinte ao consumo, após os processo de ajuste tarifário anual das concessionárias.

Energia do futuro

JANEIRO by ABEGAS REDACAO 
Brasil vai testar em 2013 a smart grid, rede inteligente que permite ao consumidor gerenciar o consumo e ganhar descontos na conta caso produza energia por meio de painéis solares ou de turbinas eólicas.



Há mais de um século, o modelo é o mesmo. O relógio marca a energia recebida, um funcionário confere pessoalmente a medição todos os meses, e a companhia distribuidora cobra o consumidor de acordo com a quantidade de eletricidade gasta.

Agora, chegou a hora de dar inteligência à rede elétrica. A chamada smart grid abre uma via de mão dupla na desgastada relação entre concessionária e público, dando ao consumidor o poder de gerenciar o que gasta e de até mesmo produzir a própria energia. 

A medida, já em uso em países como Japão e Estados Unidos, deve ter os primeiros testes no Brasil a partir de 2013. Com a rede inteligente, some a figura do leiturista e entra em cena o medidor digital, que envia informações periódicas diretamente para a distribuidora.

O próprio consumidor pode conferir no novo relógio o consumo registrado até determinado momento e evitar sustos com a conta no fim do mês. O aparelho de última geração também permite a adoção da tarifa branca, que estipula cobranças diferenciadas de acordo com o horário. 

Mudar o banho para a hora de baixa demanda, por exemplo, pode significar uma economia sem a necessidade de cortes no consumo.

“Quando temos o valor da energia, temos a inteligência que vai nos permitir fazer a verificação no uso dela. 

É como a conta do telefone: nós sabemos o quanto estamos pagando porque a conta vem discriminada”, explica Carlos Alerto Fróes Lima, engenheiro mecânico que escolheu a smart grid como tema de sua tese de doutorado na Unicamp.

A companhia também ganha com a rede inteligente, pois os sensores avisam sobre qualquer problema na transmissão em tempo real, e ainda permitem a resolução de alguns deles sem a necessidade de um técnico. 

Entre as novidades trazidas pela nova tecnologia, contudo, a mais significativa talvez seja a integração de milhares de novos produtores ao sistema: os usuários de coletores de energia renovável. 

Hoje, o consumidor já pode instalar células fotovoltaicas ou microgeradores eólicos em casa, mas, se ele gerar mais do que consome, o saldo excedente precisa ser estocado em baterias ou é desperdiçado.

Já com a rede digital, cada morador pode ser também um fornecedor, ao enviar esses watts a mais de volta para a rede. Com isso, o valor da conta pode ser reduzido. 

Além disso, o novo sistema representa uma importante economia para as redes, ao aproximar a fonte produtora de energia dos consumidores. Em vez de investir milhões conectando regiões distantes, o próprio consumidor poderá transmitir a energia para a subestação, que vai alimentar a vizinhança sem necessidade de viagens longas ou conversões da energia. 

A maior quantidade de eletricidade no sistema e a economia dos horários de pico também podem adiar os constantes investimentos nas usinas e transmissores.

Vai e volta

Para saber quanta energia vem e volta da rede, o consumidor pode requisitar um medidor especial para a concessionária. “Ele vai precisar de um medidor especial, que faz a medição tanto do consumo dele quanto do que ele está injetando na rede”, esclarece André Pepitone, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

No Distrito Federal, o público tem direito à mudança desde o último dia 15. Depois que o próprio morador se encarregar de instalar os painéis ou microturbinas em casa, ele só precisa entrar em contato com a fornecedora de energia para pedir a troca do relógio. 

A distribuidora tem um prazo de 82 dias para fazer o parecer e a vistoria e instalar o ponto de conexão. “A conexão em si não requisita a smart grid, mas ela pode potencializar o conhecimento da forma de uso da energia, tanto consumida quanto gerada”, ressalta Luiz Hernandes, coordenador do grupo de smart grid do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). O monitoramento, de acordo com o especialista, poderá ser feito diretamente pelo computador ou pelo smartphone. 

“Acompanhando no dia a dia, ele poderia tomar decisões de desligar os painéis e reduzir a carga, ou até maximizar a venda de energia para a rede, caso haja estímulo de tarifa nesse sentido”, exemplifica Hernandes. Em outros países, essa gestão é fundamental para um saldo positivo na conta mensal. 

Quando o sistema smart foi implantado na Austrália, por exemplo, os clientes recebiam pela energia gerada um pagamento três vezes maior que a tarifa cobrada pelas concessionárias. Já no Brasil, o cálculo deve ser um pouco mais simples — e menos animador. 

“O relógio mede as duas (energia gasta e produzida) e depois faz um encontro de contas. Se der menor, o consumidor só paga a diferença. 

Se ele injetou mais do que consumiu, leva um crédito por três meses”, adianta Pepitone.

Fonte: Correio Braziliense

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

BID disponibiliza R$ 50 milhões para projetos de eficiência energética

O Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) divulgou projeto que disponibiliza R$ 50 milhões para garantia financeira a ações de Eficiência Energética em edificações privadas no Brasil. 


O principal objetivo da ação é reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. 

A iniciativa faz parte do Mecanismo de Garantia de Eficiência Energética (Eegm) ferramenta multilateral de incentivo a projetos ambientais nos países em desenvolvimentos. 

O Eegm possui prazo máximo de sete anos para as garantias e aplica-se a projetos cujas economias de energia sejam garantidas por empresas de serviços de eficiência energética com base em um contrato celebrado com seu cliente. 

A apresentação foi feita à Associação Brasileira das Empresas e Serviços de Conservação de Energia (Abesco) e à Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), durante reunião na sede da Fiesp, em São Paulo, na última semana. 

À garantia compreensiva de riscos, há a cobertura para inadimplências ocasionadas por motivos técnicos e de fiabilidade creditícia disponível para financiadores, empresas de serviços de conservação de energia e seus clientes. 

Já a garantia de risco técnico oferece cobertura para inadimplências causadas por desempenho insuficiente nos termos do contrato de eficiência energética.

SAIBA MAIS
A iniciativa é parte do Mecanismo de Garantia de Eficiência Energética, que oferece garantias parciais de crédito para até 80% do valor do contrato de eficiência energética apresentado ou o até US$ 800 mil na forma de garantia compreensiva de riscos e de desempenho técnico.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mercado de lâmpadas LED da GE no Brasil deve crescer mais de 50% em 2013

POR EDG.CCOUTO | NEGÓCIOS

Rua Avanhandava, no centro de São Paulo: em 2010, as lâmpadas convencionais, de vapor de sódio, foram substituídas por lâmpadas LED. (Foto: Divulgação/ GE Iluminação)

A americana GE sonha bem alto quando se trata do mercado de iluminação e lâmpadas LED na América Latina. Uma altura, para ser mais precisa, equivalente a um crescimento de mais de 50% por ano só no segmento de LED.

Trata-se de um negócio incipiente, claro. Daí o salto, resultado de um cálculo cuja base ainda é pequena. A GE não divulga o faturamento do segmento de iluminação no Brasil (o faturamento total da empresa na América Latina, em 2011, foi de US$ 8,2 bilhões, dos quais US$ 3,7 bilhões no Brasil), mas o presidente e CEO da GE Iluminação para a América Latina, Lionel Ramirez, diz que a procura por lâmpadas mais eficientes, como a de LED, tem aumentado tanto por parte do consumidor como pelo setor público.

No Brasil, projetos de iluminação pública com lâmpadas LED podem ser vistos no Rio de Janeiro, em Florianópolis e em São Paulo.

Há vários tipos e formatos de lâmpadas LED mas, de forma geral, elas se caracterizam pela maior durabilidade e uma economia de energia que pode variar de 50% a 80% em relação às lâmpadas convencionais.

O Brasil deve experimentar um crescimento ainda maior que os demais países da região. Ramirez diz que enquanto as vendas de toda a área de iluminação da GE deve crescer de 15% a 20% na região, o aumento das vendas no Brasil deve ser o dobro disso, chegando a um crescimento de até 40%.

O que vai puxar esse resultado, segundo Ramirez, será a crescente adesão às novas tecnologias.

Algo que vai acontecer em todas as esferas: na iluminação residencial, comercial, do setor público e de espaços públicos, seguindo uma tendência global de transição para a iluminação eficiente.

Neste ano, a empresa firmou um parceria com a cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos, para prover as soluções de iluminação para a reforma (ou retrofit, como têm sido chamadas as reformas focadas na substituição de materiais e tecnologias antigas por outras novas e sustentáveis) de edifícios em toda a cidade.

Fonte: Época Negócios

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Para Abrace, aumento da segurança energética independe de aumento da conta de luz

É possível melhorar a segurança energética brasileira e evitar apagões sem que isso represente aumento na conta de luz. 



A afirmação do presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, foi feita nesta quarta-feira (19/12), um dia após o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, ter dito que o país não tem como fazer todas as obras recomendadas para garantir a segurança energética, sob pena de elevar o custo de tarifa.

“Claro que não estamos com o setor elétrico funcionando na sua normalidade e que há fragilidades do sistema que têm de ser resolvidas, mas não podemos cair na armadilha de sair justificando todos os investimentos em função de um problema conjuntural de falta de energia.

No nosso entendimento, podemos melhorar muito [o sistema] e evitar apagões sem que isso resulte em aumento de custo”, disse Pedrosa durante almoço com jornalistas.

A Abrace apresentou algumas sugestões. “Há diversos caminhos e possibilidades sem cairmos no erro de achar que a solução seja, sempre, mais e mais investimentos. 

Em primeiro lugar, se o serviço não foi prestado adequadamente é porque algo não está de acordo com o planejado. Em parte, isso pode ser resolvido com transparência, para identificar os motivos reais, e fiscalização”, disse Pedrosa.

O dirigente inclui, entre as sugestões apresentadas, choques de gestão para todas as partes envolvidas – em especial, grandes consumidores e os setores de geração, transmissão e distribuição de energia. 

“Infelizmente há regras no setor que não estimulam esse movimento. Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] ou ONS poderiam fazer leilões de redução de consumo, prática que é comum em outros mercados, que beneficiassem [grandes] consumidores que se comprometessem a consumir menos [em períodos estratégicos]”, disse.

“Seria interessante também que os industriais que fabricam produtos estocáveis planejassem picos de produção, levando em consideração a disponibilidade de energia em determinados momentos”, disse. 

Dessa forma os picos de energia poderiam ser diminuídos, de forma a evitar o acionamento de “usinas caras” em situações como a atual, onde diversas termelétricas tiveram de ser ligadas.

Outra sugestão apresentada pela Abrace é evitar que os investimentos sejam feitos “em ritmo emergencial”, o que também resulta em aumento de custos. 

“Nós priorizamos a eficiência econômica. O setor de energia é um setor competitivo e deve ser tratado como tal. 

Não podemos aceitar altas tarifas com a desculpa de segurança energética. É possível garantir a segurança e continuar sendo competitivo”.

Fonte: Jornal da Energia

Firjan alerta: Estamos na antessala do apagão


Estamos na antessala do apagão

O sistema Firjan emitiu nesta quarta-feira (19/12) comunicado a indústria em que alerta para o estado crítico em que se encontram os reservatórios das usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste e risco de desabastecimento de energia até o início de 2013. 

“Estamos praticamente na antessala do apagão”, declarou o gerente de competitividade industrial e investimentos da Firjan, Cristiano Prado.

Segundo o executivo, o atual nível dos reservatórios é o pior dos últimos 11 anos e só não perde para o período de racionamento. De acordo com dados da federação, em dezembro de 2011, o nível dos reservatórios estava em 61%, mas hoje representa apenas 29,8%. 

Contrariamente, a geração termelétrica em novembro de 2011 era de 6,91%, saltando para 23,14% no mesmo período deste ano.

“A previsão das chuvas para dezembro está abaixo da média e, ainda que alcançasse a média histórica, não teremos água suficiente para encher os reservatórios. Por outro lado está sendo necessário aumentar a geração de termelétricas num momento em que o País não estava esperando gerar”, declarou Prado.

Preocupada com a situação, a federação solicitou ao Ministério de Minas e Energia que esclareça a situação, dizendo quais as medidas que ainda podem ser adotadas para manter o fornecimento de energia, e também de gás, para a indústria, visando garantir não só a competitividade do setor, mas também o crescimento econômico do Brasil.

“É um cobertor curto dos dois lados. Curto na parte de cima porque o nível dos reservatórios está muito abaixo e, curto na parte de baixo, porque você vai precisar de mais gás para as térmicas, e não tem gás sobrando no País”, apontou o gerente da Firjan.

Ele ainda revela que apesar das previsões de chuva apontarem otimismo, o despacho térmico não deverá cair pelo menos até o primeiro trimestre de 2013. 

Mesmo que ocorresse o aumento da precipitação acima da média histórica, a possibilidade do governo continuar a operação das térmicas é mantida, para que, por questão de segurança, os reservatórios sejam preservados para o próximo ano.

“Se viesse o dilúvio, talvez a gente tivesse alguma chance. É a única chance para salvar essa situação”, comentou. Sobre a alta variação entre as previsões das chuvas e o que tem sido contestado, 

Prado confirma a disparidade, mas diz não ter base para avaliar a qualidade e modelo das previsões.

Para o engenheiro Fábio Resende, diretor do Instituto Ilumina, ainda é precoce falar de racionamento, mas revela que o risco está aumentando à medida que as previsões de chuva não se concretizam. 

“À medida que não tem chuva você vai esvaziando o reservatório... 

Tem que ver se todas essas térmicas que foram contratadas têm condição de gerar. Se houver problema na geração das térmicas também, vai faltar energia, mas por enquanto é precoce dizer”.



Fonte: Jornal da Energia

A hora e a vez da geração distribuída de eletricidade, artigo de Heitor Scalambrini Costa




A geração distribuída (também conhecida como “descentralizada”) caracteriza-se como a produção de eletricidade próxima ao consumo, dispensando a linha de transmissão e os complexos sistemas de distribuição para atender ao consumidor final. 

Trata-se de uma forma de geração que já foi bastante utilizada até o final da década de 40 do século passado. Mas que depois foi substituída pela geração centralizada, com a construção de usinas de grande porte distante do consumidor final.

A geração descentralizada representa uma possibilidade concreta para colaborar com a redução da curva de carga, reduzindo o consumo em horários de pico; e diminuindo a necessidade de investimentos na geração, transmissão e distribuição do sistema elétrico integrado brasileiro. 

Nos países onde houve o desenvolvimento da pequena geração, os consumidores passaram a preocupar-se mais com seu consumo de eletricidade, com aspectos do uso eficiente da energia. Assim, se espera que adotando tal tecnologia, diminua o consumo, sem prejuízo da qualidade dos serviços, do bem-estar, e do conforto do consumidor. 

Ou seja, ter um consumo de energia menor para o mesmo serviço. Também a diversificação das fontes na matriz elétrica, vai contribuir para diminuir a necessidade de construção de novas usinas e, obviamente, diminuir o impacto ambiental.

O setor residencial já é responsável por aproximadamente 26% do consumo de eletricidade do país, e se somarmos o setor púbico e o comercial, existe um grande potencial para a pequena geração (< 1 MW), em particular através da instalação de sistemas fotovoltaicos.

Infelizmente, apesar da grande incidência de luz solar em todo o território brasileiro, o uso da energia solar fotovoltaica como fonte elétrica praticamente é desprezível. Em grande parte devido à insuficiência de incentivos do governo federal e estadual para a disseminação desta tecnologia.

Desde o segundo semestre de 2010 com o lançamento de uma consulta pública, se discute uma regulamentação da geração distribuída utilizando fontes renováveis. 

Finalmente em 19 abril de 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) editou a Resolução Normativa n° 482, regulando a conexão da micro geração (até 100 KW) e mini geração (de 100 KW a 1 MW) aos sistemas de distribuição de energia elétrica e o sistema de compensação de energia elétrica, que permitirá o consumidor-produtor instalar pequenos geradores, em sua unidade consumidora e injetar energia na rede de distribuição em troca de créditos.

A regulamentação é válida para geradores que utilizam fontes incentivadas de energia (hídrica, solar, biomassa, eólica e co-geração), com ênfase para a geração fotovoltaica. As distribuidoras obtiveram um prazo de 240 dias (até 19 de dezembro) para se adaptar a esta nova realidade, publicando as normas de integração à rede e de atendimento à solicitação do consumidor.

Após ter recebido grande destaque e propaganda oficial, como sendo o início do mercado para a disseminação da tecnologia solar fotovoltaica, agora que o prazo para as distribuidoras se pronunciarem sobre como será realizada a integração da micro e mini geração se aproxima, praticamente nada tem se falado a respeito.

Recentemente, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) pediu adiamento desse prazo, mas a Aneel garantiu que os prazos iniciais serão respeitados. Logo, a partir do inicio de 2013 poderão ser instalados medidores para controlar a quantidade de eletricidade consumida e injetada na rede do distribuidor, desde que solicitado.

Mesmo com um atraso de mais de 20 anos, em comparação a outros países que já incentivavam e promoviam o uso da geração fotovoltaica conectada na rede elétrica, sem dúvida esta medida adotada pela Aneel pode ser considerada como um estímulo para o consumidor investir em tecnologias como a de painéis solares, e também um modelo bom para as empresas distribuidoras.

Todavia, mesmo sendo um bom começo, estas medidas são insuficientes para a adoção em larga escala pela população, devido ao custo do investimento inicial necessário (em torno de R$ 10.000,00 para produzir em média 100 kWh/mês). 

É imperativo que o governo faça mais para que realmente esta fonte de energia, tão abundante, gratuita e renovável, possa ter uma participação mais importante na matriz elétrica nacional.

A Campanha Nacional pela Produção e Uso da Energia Solar Descentralizada lançada pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Ambiental (www. fmclimaticas.org.br) é dirigida nesta direção, reivindicando que haja subsídios e financiamento para os consumidores adquirirem seus geradores fotovoltaicos, e que em certos casos os equipamentos sejam fornecidos a custo zero. 

Porque não? Já que a indústria de petróleo e gás, as hidroelétricas de grande porte e as termelétricas recebem subsídios generosos dos governos estaduais e federal.

Heitor Scalambrini Costa, Articulista do Portal EcoDebate, é Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Fonte: EcoDebate,