sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Custo da energia ameaça frear economia, alertam analistas

Ruth Costas Da BBC Brasil

Governo nega que haja risco de apagão ou 'crise no sistema'

O alto custo da eletricidade no Brasil e incertezas sobre o abastecimento desse insumo ameaçam tornar-se mais um freio para a economia, alertam analistas consultados pela BBC Brasil.

De acordo com Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), é difícil quantificar com precisão o impacto dessa combinação sobre o PIB, "mas ele certamente será significativo, principalmente na indústria".

"Já temos até empresas inadimplentes, que ameaçam fechar as portas por não estarem preparadas para esse aumento em seus custos de energia."
A seca e o baixo nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste fizeram o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo - o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) - bater seu valor máximo (permitido por lei) de R$ 822 o megawatt hora (MWh) no primeiro semestre (caindo para algo em torno de R$ 700 nas últimas semanas).
Em parte isso ocorre porque, sem chuvas, é preciso acionar usinas termelétricas, cujo custo de operação é maior.
Para se ter uma ideia, em períodos de chuvas regulares, dentro da média histórica, o preço da energia nesse mercado costuma ficar abaixo dos R$ 100 o MWh. Há três anos, rondava os R$ 30.

Em meio a uma alta tão acentuada, começaram a vir à tona notícias de empresas eletrointensivas que, para amenizar as perdas causadas pela desaceleração econômica e demanda fraca, estão vendendo seu excedente de energia no mercado de curto prazo - e lucrando mais do que se estivessem produzindo.

Venda de energia

"Em geral são empresas que usam muita energia, como produtoras de alumínio, ferroligas e cloro-soda", explica Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.

"Algumas são sócias em usinas ou têm contratos antigos de compra de energia, que lhes garantem um suprimento do insumo a preços mais baixos."

Além disso, o alto custo no mercado de curto prazo também estaria afetando a negociação de contratos de médio e longo prazo, como explica Leontina Pinto, diretora da consultoria Engenho e ex-pesquisadora do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel).

Segundo Pinto, um cenário de "incertezas" sobre o suprimento energético estaria levando muitas empresas a revisar seus planos de investimentos.


Hidrelétricas respondem por maior parte da energia consumida no Brasil

"Para começar, com a alta do preço a curto prazo, ninguém vende a longo prazo - então não há energia para quem quer manter a produção", diz ela.

"Além disso, com a ameaça de racionamento, muitas indústrias optaram por não esperar o possível 'apagão' e já decidiram reduzir a sua produção no país, substituindo-a por importações ou remanejando a produção para o exterior - o que é um duro golpe na indústria, e pode ter consequências muito severas para a economia."

Opiniões divergentes

O tema, porém, é controverso. Para Walter de Vitto, da consultoria Tendências, por exemplo, não surpreende que o alto preço da energia estimule as empresas a cortar o consumo.

"De certa forma, esse é um mecanismo de autorregulação do setor: com menos consumo, os preços tendem a cair."
Segundo De Vitto, apesar do atraso na construção de algumas usinas, estão sendo tomadas ações adequadas para a expansão do sistema elétrico e os custos altos de energia são um problema essencialmente conjuntural.

O nível dos reservatórios das usinas do Sudeste/Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de armazenamento do país, hoje está em 35%, contra 62% de julho do ano passado.

"O problema é que esse mecanismo de ajuste do consumo ao preço só existe no mercado livre, que atende grandes consumidores", opina de Vitto.

"No (mercado) regulado, a distribuidora está bancando esse aumento de custo e só vai repassar as perdas para os consumidores na revisão das tarifas."
Mercado

No Brasil, os grandes consumidores compram energia elétrica das geradoras no chamado mercado livre, não regulado pelo governo e nos quais as condições dos contratos são definidas livremente.

Já as distribuidoras que abastecem residências, comércios, pequenas indústrias e serviços adquirem o insumo no mercado cativo (ou regulado), em leilões nos quais as condições de preço são determinadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Os contratos desses dois mercados são registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que mede a energia efetivamente produzida e consumida por cada agente do sistema elétrico.

Quem consumiu mais do que contratou paga a diferença pelo PLD no chamado mercado de curto prazo. E quem consumiu menos, recebe pelo mesmo preço, cujo cálculo considera a disponibilidade de água para a produção de energia (ver esquema abaixo).



"Como algumas distribuidoras não tinham contratado toda a energia utilizada, acabaram com uma conta bilionária com a alta do PLD", explica de Vitto.

Em abril, o governo intermediou um empréstimo de R$ 11,2 bilhões para ajudar as distribuidoras e agora articula outro de R$ 6,5 bilhões.

"Tais custos terão de ser repassados para os consumidores, por isso em 2015 prevemos um aumento da tarifa de energia elétrica de 20% a 25%, que representaria um impacto de 0,54 a 0,68 ponto percentual na inflação", diz o especialista da Tendências.

'Peça de ficção'

O Ministério de Minas e Energia nega que seja necessário um reajuste de tal magnitude para acomodar as perdas das distribuidoras - só admite um aumento de 2,6% em 2015.

Segundo Márcio Zimmermann, secretário-executivo do ministério, "é peça de ficcção falar em crise energética no Brasil" e a prova da "saúde" do sistema seria a atração de um grande volume de investimentos para sua expansão.

O ministério também não vê risco de racionamento - ou problema na venda de energia por empresas eletrointensivas.

"Se elas não usam a energia contratada podem vendê-la - essas são as regras do jogo", diz.

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) concorda com esse ponto de vista e nega que haja empresas parando de produzir para vender energia.



Produtoras de alumínio estão entre as grandes consumidoras de energia

"Isso não faria sentido do ponto de vista estratégico - mas se por um motivo ou outro sobra energia, é direito das empresas vender esse insumo", diz Camila Schoti, coordenadora de energia da Abrace.

A associação, porém, reclama dos efeitos do alto preço da eletricidade sobre a competitividade da indústria nacional.

"Países como França e Canadá têm políticas bem-sucedidas de redução do custo desse insumo para a indústria", exemplifica Schoti. 

"A falta de chuvas de fato é uma questão conjuntural, mas seria importante adotar estratégias de longo prazo que reduzissem os encargos para as empresas ness área."

Solução

Não está claro até que ponto um aumento do volume de chuvas representaria uma solução definitiva para a questão.Para Sauer, por exemplo, a hidrologia atípica apenas expôs problemas estruturais do atual sistema elétrico brasileiro.

Ele opina que o governo teria errado, por exemplo, ao tentar impor uma redução de tarifas, sem garantir uma queda nos custos das distribuidoras.

"O sistema deveria ser planejado de modo a não depender de mais ou menos chuva", diz ele. "O país tem recursos eólicos e hidráulicos suficientes para dobrar seu consumo de energia, mas para isso são necessários investimentos e uma gestão mais racional do sistema.

"Já para de Vitto, o sistema parece ser relativamente adequado às necessidades energéticas brasileiras."

O que essa crise conjuntural está mostrando é que talvez seja interessante um colchão financeiro para amenizar a variação de preços."

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Setor elétrico analisa alternativas para a expansão e modernização da indústria

FONTE/AUTOR.: TATIANA PAIVA



Empresários das principais empresas de energia e autoridades públicas reúnem-se em setembro para debater planejamento, regulação e operação na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. 

Módulo sobre Gestão e Eficiência Energética reunirá grandes consumidores

Entre os diversos setores da economia brasileira, o elétrico talvez seja hoje o que mais desafios enfrenta. Com uma matriz energética antiquada e custosa e com o consumo de energia do país em plena expansão, o setor experimenta um dos seus momentos mais críticos, uma vez que a discussão aponta para a urgência de uma intervenção nos modelos de geração, de transmissão e distribuição e também de precificação do insumo a curto e médio prazos. 

A depender dos resultados eleitorais deste ano, o setor elétrico pode ou não ganhar mais importância entre as prioridades federais e ser destino de investimentos públicos. Hoje, sabe-se que a previsão é de que nos próximos quatro anos R$ 200 bilhões sejam aplicados.

É com o propósito de elencar soluções para o ganho de eficiência e para o ajustamento entre oferta e demanda da energia elétrica no Brasil que será realizada a 15ª edição do Energy Summit, seminário organizado pelo Informa Group, que reúne empresários das principais companhias de energia, consumidores, fornecedores de soluções, instituições financeiras e órgãos do governo em um encontro de três dias em São Paulo.

Dividido em blocos temáticos, o Energy Summit acontece de 15 a 17 de setembro, no Caesar Park Faria Lima, em São Paulo, e conta com a orientação de um conselho formado por especialistas do porte do diretor presidente da Equatorial Energia, Firmino Ferreira Sampaio, do diretor da E Positiva e Presidente da Abraget, Xisto Vieira Filho, do presidente do Conselho de Administração da Endesa Brasil, Mario Fernando de Melo Santos e da sócia da Dória, Jacobina e Gondinho Advogados, Maria Alice Dória.

“O respaldo conceitual e técnico do nosso conselho nos permitiu formatar uma grade palestras sem precedentes e com total sinergia com o atual momento do setor elétrico no Brasil. Obtivemos uma adesão muito significativa de personagens-chave da iniciativa privada e do poder público que enriquecerão sobremaneira o debate este ano, no Energy Summit”, comenta a gerente do evento, Melissa Dallarosa.

Eficiência Energética e Finanças e Financiamento – No primeiro dia de evento, o Energy Summit organiza o encontro gratuito exclusivo sobre Gestão e Eficiência Energética para grandes consumidores que reúne executivos de empresas como ArcelorMittal Brasil, America Energia, Iguatemi SP, Hospital Albert Einstein, Renault, Pepsico, Votorantin e CSN com o propósito de analisar alternativas para a redução dos custos com energia e a otimização da contratação deste insumo.

Também no dia 15, é organizado o Seminário Estratégico de Finanças e Financiamento no Setor Elétrico, que tratará das perspectivas de investimento no setor elétrico e proporá aos participantes a discussão sobre como alcançar a sustentabilidade econômica das empresas de energia, pontuando as novas alternativas de capital para financiar a expansão da infraestrutura elétrica no país.

Expansão de Oferta, Mercado e Planejamento – No dia 16 de setembro, o Energy Summit dedica-se à análise da demanda e da oferta, com foco na análise do potencial da inserção da mini e micro geração na matriz energética brasileira.

Na parte da tarde, o encontro do setor elétrico volta os olhos para um amplo debate sobre o mercado, com tangências nas projeções econômicas e de preço de energia, os impactos do risco hidrológico para toda a cadeia, e sobre o planejamento, abordando os projetos de infraestrutura elétrica nacional e os leilões com mecanismo para equilibrar a matriz elétrica.

Regulação, Gestão, Operação e Segurança Energética – No último dia de Energy Summit, os temas propostos são focados na regulação – Avaliação dos efeitos do primeiro biênio da MP 579 e da Lei 12.783, a evolução tarifária e o cenário futuro da remuneração das distribuidoras, cases de outro países na definição de seus modelos regulatórios.

No que se refere à gestão, o evento aborda a questão da redução de custos com manutenção do nível de qualidade dos serviços, o consumidor do futuro e suas exigências, investimentos em P&D para agregar maior valor aos serviços, sem deixar de lado temas relativos a aspectos operacionais e de segurança, como os riscos técnicos decorrentes da atual sobrecarga operacionais das usinas.

Sobre o ENERGY SUMMIT 2014
Em sua 15ª edição, o Energy Summit é reconhecidamente o mais tradicional fórum de discussões sobre a indústria elétrica, reunindo especialistas sobre geração, transmissão e distribuição e comercialização do insumo. Em 2014, o Energy Summit acontece de 15 a 17 de setembro, no Caesar Park Faria Lima, em São Paulo. 
Mais informações sobre as palestras, palestrante e inscrições estão disponíveis no site do evento, em: 


Sobre o Informa Group
O Informa group é o maior provedor mundial de informação especializada e serviços para as comunidades acadêmica e científica, profissional e empresarial. O grupo tem sua sede em Londres e outros 150 escritórios em 40 países, empregando 10000 funcionários em todo o mundo. 

As ações do Informa group estão listadas na Bolsa de Valores de Londres, compondo o índice das 250 maiores companhias (FTSE-250:INF). No segmento de eventos, o Informa group é hoje o maior organizador de feiras, conferencias e treinamentos do mundo com capital aberto, com uma agenda de mais de 12 mil eventos por ano. 

Na América Latina, o Informa Group está presente através de várias empresas como IBC, IIR, BTS Informa, AchieveGlobal e InformaEconomics - FNP.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Desperdício de energia equivale a meia Itaipu


Volume perdido pela ineficiência de aparelhos elétricos e processos industriais no país consome R$ 11 bi por ano e poderia aliviar crise provocada pela falta de chuvas

Zulmira Furbino


Em meio à crise desencadeada pelo risco de escassez de energia no país, que elevou o preço das tarifas em 2014 e continuará pressionando o valor as contas de luz no ano que vem, o desperdício do insumo no Brasil chega a 48 milhões de megawatts por hora. 

O montante, calculado pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), equivale à metade de toda a geração anual da hidrelétrica de Itaipu, ou ao consumo de todo o estado de Minas Gerais durante um ano inteiro. 

Funcionários trocam iluminação na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais: ações para cortar consumo geram economia de R$ 450 mil na conta de luz  (Ceasa/Divulgação)
Funcionários trocam iluminação na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais: ações para cortar consumo geram economia de R$ 450 mil na conta de luz

Também é equivalente ao consumo anual de Rio de Janeiro e Sergipe somados. Por não administrar seus gastos com energia e não adotar todo o seu potencial de medidas de eficiência energética, o Brasil perde R$ 11 bilhões ao ano.


As fontes da sangria são principalmente equipamentos obsoletos e processos inadequados nas empresas, além de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e ferros de passar roupa obsoletos nas residências. 

Nos dias 21 e 22 de julho, os desafios do setor foram discutidos no 11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética e ExpoEficiência 2014, a ser realizado pela Abesco em São Paulo. 

De acordo com Rodrigo Aguiar, presidente da entidade, o Índice de Intensidade Energética (IIE) – que calcula a razão entre o consumo energético e o Produto Interno Bruto (PIB) de um país –, no Brasil é três vezes maior do que o do Japão. Isso significa que para aumentar 1% em seu PIB, os japoneses gastam três vezes menos energia do que os brasileiros. 

“No Brasil, já há planos de eficiência energética, como o selo do Programa Nacional de Energia Elétrica (Procel), criado em 1993, e o Plano de Eficiência Energética das Distribuidoras de Energia. O problema é que o selo Procel avança muito lentamente”, avalia.

Já o plano das concessionárias foi dividido em duas fases. Até 2004, os projetos podiam ser aplicados em todos os segmentos, mas depois disso no mínimo 60% dos recursos passaram a ser destinados à troca de geladeiras e lâmpadas para famílias de baixa renda. 

“Hoje a gente gasta quase três vezes mais para conseguir o mesmo benefício de antes”, calcula Aguiar. De acordo com ele, algumas companhias passaram a destinar 100% dos recursos para essa camada da população, deixando as outras áreas – indústria, comércio, residências de maior padrão e setor público – de lado. 

“Do ponto de vista técnico, e não do social, os projetos passaram a não ter atratividade e os resultados são ruins”, afirma o presidente da Abesco. No ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aceitou um pleito para a modificação dessa situação e há um projeto de lei que troca a aplicação mínima na baixa renda de 60% para até 60%.

Na prática

Enquanto isso não ocorre, diante da necessidade de economizar energia, muitas empresas não perdem tempo e já estão implantando programas que reduzem os custos com os insumos. 

É o caso da Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa Minas), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). De acordo com Gilson Alves Ferreira, assessor especial da presidência e presidente da comissão de energia elétrica da Ceasa, a conta de energia da empresa chegava a R$ 1 milhão há cerca de três anos e hoje caiu para R$ 550 mil. 

Para isso, a estatal contratou uma empresa especializada em eficiência energética.

Ferreira explica que antes de contratar a QualiLight Energia, a Ceasa Minas tinha um contrato fixo de fornecimento e, mesmo se não consumisse todo o insumo contratado, pagava por ele. 

Caso ultrapassasse a cota era obrigada a arcar com multas que iam de R$ 100 mil a R$ 200 mil. “Resolvemos fazer um trabalho de eficiência energética na empresa. 

Migramos para o mercado livre de energia, modernizamos e mudamos as câmaras de refrigeração e a redução no preço foi substancial”, explica. 

Em seguida, as lâmpadas comuns foram trocadas pelas de LED. Hoje, toda a área pública, a administração e cerca de 50% das lojas já contam com esse tipo de iluminação.

O diretor operacional da QualiLight Energia, Gilson Reis, explica que a demanda pelo serviço de melhoria de eficiência energética nos equipamentos das empresas aumenta a cada dia, principalmente diante do cenário de escasssez de energia no Brasil. “É 50% mais barato investir em conservação de energia do que em geração”, sustenta. 

Seu caso de maior sucesso é o da Ceasa Minas, que conta com 650 concessionários. Nesse caso, parte dos investimentos no projeto – R$ 7 milhões – foi feita pela própria prestadora de serviços. 

O retorno está atrelado à redução do consumo obtida. “A QualiLight recebe pelos resultados. Começaram ganhando 80% da redução que obtiveram, mas hoje o retorno já está entre 40% e 50%”, diz Gilson Ferreira, da Ceasa. Por outro lado, a própria Ceasa Minas conseguiu recursos da Aneel (R$ 6,5 milhões) para a troca das lâmpadas fluorescentes por LED.

Ganho real

Hoje, segundo Ferreira, a Ceasa Minas é a única empresa do tipo no mundo com esse grau de eficiência energética. “Não precisamos mais fazer manutenção nas lâmpadas, porque as de LED duram até 12 anos. 

O ganho que isso traz também precisa ser contabilizado porque é muito representativo”, explica. Assim, o valor da fatura de energia nos galpões foi reduzida em 60%. “Inicialmente, em vez de pagarmos a concessionária, pagamos o projeto. Depois, todos os benefícios voltam para a empresa”, diz. 

Uma das mudanças, segundo ele, é que o calor das lâmpadas já não incide sobre a alimentação. “Aqui havia produtores que ficavam com as lâmpadas ligadas 24 horas. Agora tudo é fiscalizado pela Cemig, seguindo as normas da ABNT. O ganho é para todos os lados”, disse.

enquanto isso...

..o mundo aposta no uso racional

Até 2035, os gastos anuais com eficiência energética deverão aumentar de US$ 130 bilhões de dólares para mais de US$ 550 bilhões, calcula a Agência Internacional de Energia (IEA). 

Os investimentos em eficência energética estarão concentrados nos principais mercados consumidores: União Europeia, América do Norte e China, sendo 90% aplicados no setor de transporte e construção. 

Do total de investimentos esperados para atender à demanda mundial de energia no período, cerca de US$ 40 trilhões deverão ser destinados ao fornecimento de energia e eficiência energética. 

Outros US$ 23 trilhões serão destinados à extração de combustível fóssil, transporte e refino de petróleo, quase US$ 10 trilhões em geração de energia com tecnologias de baixo carbono, sendo US$ 6 trilhões de dólares para energias renováveis e US$ 1 trilhão para nuclear, e mais US$ 7 trilhões para transmissão e distribuição de energia.

Eficiência reduz custos

De acordo com João Carlos Salgueiro Souza, gerente nacional de vendas da área de energia e sustentabilidade da Schneider Electric, o potencial para a expansão da eficiência energética no país é enorme. 

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) apontam que em 2013 o potencial de economia em relação ao consumo era de 13%. Por outro lado, a expectativa é que nas próximas décadas 10% da expansão da demanda de energia no país será suprida por esse meio. 

Nos cálculos dele, enquanto hoje a geração de 1 megawatt de energia custa R$ 120, a mesma quantidade do insumo proveniente dos processos de eficiência energética fica entre 50% a 70% desse preço.

“O mercado busca projetos de retorno rápido, que deve ficar entre um ano e um ano e meio. Dois anos já é considerado o limite”, diz. Já as taxas de retorno giram em torno de 30%. 

Por causa disso, boa parte dessas iniciativas é feita com recursos próprios. Mas nos últimos anos as empresas também têm adotado contratos de performance. 

No Brasil, a maioria das organizações empresarias focam seus investimentos na produção e na logística, com um certo grau de endividamento. Elas buscam pagar o seu capex – dinheiro gasto na aquisição de máquinas cortando custos de opex (manutenção e operação. “Isso abre espaço para contratos de performance”, explica o executivo.

Exemplo disso, segundo ele, ´é uma grande siderúrgica brasileira que contratou os serviços de eficiência energética da Schneider Electric e conseguiu uma redução de 30% no consumo de energia numa central termelétrica. 

A eliminação desse desperdício acabou se convertendo em sobra de energia, que foi vendida para o mercado de curto prazo a R$ 822 o megawatt (MW)/hora. “Foram 6MW médios de economia, o equivalente à produção de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) que demandaria investimento de R$ 20 milhões, sem contar os entraves ambientais”, lembra. 

A demanda pelo serviço é tão grande que a Schneider fundou a Energy Univertity, uma universidade on-line gratuita que estuda o assunto. Hoje já são mais de 4.500 inscritos no mundo. De acordo com ele, 20% dos cursos já estão em português.





quinta-feira, 24 de julho de 2014

Unifei oferece Curso de Conservação e Uso Eficiente de Energia

Minas Gerais - Curso a distância se torna uma realidade para alunos assistirem aulas de qualquer lugar




Felipe Lima, para o Procel Info

Minas Gerais - Quem pensa enriquece. Já dizia o americano Napoleon Hill, em um de seus livros, sobre a importância de explorar o raciocínio. Para tanto, nos dias atuais, o aprimoramento acontece pelo investimento em cursos (e não importa se é científico ou complementar, vale a especialização). 

O estudante que acredita neste pensamento encontra o segredo para conseguir sucesso profissional, porque em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, destaca-se o mais preparado.

Profissionais jovens geralmente enfrentam o dilema de manter os estudos ou ingressar no mercado de trabalho, porém, a tentativa consiste em equilibrar esse meio termo, especialização e trabalho. 

Com a aproximação e avanço dos meios tecnológicos aos estudantes, nunca ficou tão fácil estudar, de forma confortável e prática, onde estivermos. O curso a distância é uma realidade que convida os alunos para assistirem aulas em qualquer lugar. 

Pensando em contribuir na formação de profissionais cada vez mais capacitados, a Unifei (Universidade Federal de Itajubá – MG), em parceria com a Eletrobras Procel, oferece o Curso de Conservação de Energia – ENERGE, que apresentará os fundamentos e as tecnologias para o uso eficiente de energia para o setor industrial e de serviços. 

O curso é livre para alunos de quaisquer áreas acadêmicas, porém o público alvo são alunos de graduação ou pós-graduação em Engenharia. 

Segundo Emerson Salvador, responsável pelo Departamento de Desenvolvimento da Eficiência Energética da Eletrobras, que tem parceria no curso, ‘’a prioridade deve-se ao fato da maior parte das disciplinas do curso, que é voltado para a área de eficiência energética em sistemas motrizes, estar relacionado à área de Engenharia. 

Mas isso não exclui a possibilidade de alunos interessados de outras áreas fazerem o curso’’. 

Salvador enxerga com bons olhos o curso a distância: ‘’Uma das vantagens do ensino à distância é que não existem fronteiras, qualquer aluno, seja morador no Rio Grande do Sul ou no Amazonas, poderá fazer o curso utilizando-se apenas de um computador e do acesso à internet. 

A última edição do curso atingiu números incríveis, atraindo interessados de 23 estados do país’’.

Os alunos que se candidatarem devem dispor de, em média, 7 horas semanais para execução de atividades propostas. É importante que tenham disponibilidade para participar das aulas de ‘’Meeting’’, que acontecerá no dia 18 de setembro, às 18h (horário de Brasília). 

Esta atividade será desenvolvida à distância com todos os alunos participando de modo "online". 

’’A eficiência energética é a engenharia bem feita no sentido de se aproveitar ao máximo os recursos, diminuindo as perdas’’.

O professor, Jamil Haddad, da Unifei – MG crê nas expectativas: 
’’Atingir alunos de todo o Brasil fomentando a discussão e disseminando conhecimento técnico sobre um tema tão importante, mas que ainda tem muito a caminhar no Brasil. 

Nossos alunos precisam sair do ambiente acadêmico com uma visão clara e realista das possibilidades da eficiência energética não só para o mercado como também para o setor público’’. 

Haddad ressalta ainda a importância de realizar um curso voltado para eficiência energética: 

’’A eficiência energética é a engenharia bem feita no sentido de se aproveitar ao máximo os recursos, diminuindo as perdas. 
Entendemos que a eficiência deveria ser um dos pontos principais de atenção e estudos já que indica a possibilidade de se ter mais energia sem que haja a necessidade de se construir novas usinas de geração de energia elétrica. 
A eficiência aumenta a energia disponível diminuindo-se o que se joga fora com as perdas’’. 

O professor também cita a importância do conhecimento por parte dos estudantes para as mudanças de hábito: ’’Se tratando do ambiente acadêmico, essa importância ganha corpo porque é com conhecimento que se mudam os hábitos. Para mudar os hábitos de desperdício precisamos mudar a cultura e essa mudança passa, inclusive, pelas salas de aula de nossos cursos de Engenharia’’. 

Mais do que nunca, o conhecimento é um fator de suma importância não só para estudantes e sim para todos. É isso que torna alguém inesquecível, aquele que sabe e ensina o que aprendeu (também precisamos obter sempre o espírito de aprendiz em nossa essência). 

Já dizia Cora Coralina: ‘’feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina’’. 

Para mais informações sobre o curso ENERGE clique aqui. 














quarta-feira, 9 de julho de 2014

Analistas defendem revolução energética mundial para reduzir emissões de carbono

Mais de vinte instituições científicas convocaram nesta terça-feira os líderes das principais economias a modificarem suas políticas energéticas para reduzir as emissões de carbono a níveis seguros até 2050.


Em um informe publicado pouco antes da cúpula mundial sobre o clima prevista para 23 de setembro em Nova York, foi admitido que falta pouco tempo para alcançar as metas da ONU sobre mudança climática, mas que isso não é motivo para abandoná-las.

"Para a ciência fica claro que uma mudança climática superior aos 2º Celsius eleva o risco de um dano grave e irreversível para o bem-estar da humanidade e as perspectivas de desenvolvimento em todos os países", acrescenta o informe.

A convocação conjunta é obra de aproximadamente 30 instituições de 15 países --incluindo Brasil e México-- que representam mais de 70% das emissões globais.

A Terra se dirige a um aumento de 4ºC ou mais de sua temperatura para 2100, uma hipótese que implica um maior risco de fome, desaparecimento de espécies e de moradias, por causa de uma elevação do nível do mar, alertam os especialistas.

Se a meta dos 2ºC for postergada ou abandonada, advertem, "não há perspectivas realistas" de voltar a fixar outra meta quantitativa. 

"Deve-se preservar o limite dos 2ºC como um instrumento inestimável para conseguir uma mobilização internacional".

O informe interino do DDPP (Deep Decarbonization Pathways Project) tem como objetivo fornecer conselhos práticos antes da reunião de Nova York, que é uma etapa importante antes da conferência de Paris prevista para dezembro de 2015, quando se espera alcançar a meta de 2ºC a nível global.

O documento foi enviado nesta terça-feira ao remitido secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, que presidirá a reunião, e ao governo francês, anfitrião do evento que será realizado sob os auspícios da Convenção marco das Nações Unidas sobre a mudança climática (CMNUCC).

"Uma ação nacional ambiciosa é fundamental para evitar uma perigosa mudança climática", disse Ban em comunicado publicado em Nova York. "Este informe mostra o que é possível fazer".

Para ter a oportunidade de alcançar a meta dos 2ºC, considerando que a população global passará de 7,2 para 9,5 bilhões de habitantes em meados do século, os países deverão reduzir suas emissões médias de dióxido de carbono (CO2) das 5,2 toneladas atuais a 1,6 toneladas para 2050, indica o documento.

Isso implica que as emissões anuais já deveriam alcançar seu máximo e começar a serem reduzidas.

"Já não temos mais tempo para alcançar este limite crucial", disse Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra da Universidade Columbia de Nova York, à frente da rede que elaborou o estudo.

O informe indica as energias fósseis como principal responsável das emissões de carbono.

Traça "caminhos" a nível nacional pelos quais as emissões de CO2 vinculadas ao consumo de energia pelos 15 principais emissores de CO2 poderiam ser reduzidas de 22,3 bilhões de toneladas anuais a 12,3 bilhões de agora a 2050.

Entretanto, ainda que se alcance essa meta, a medida só teria dois terços de chance de alcançar a redução esperada de 2ºC.

O informe sugere uma estratégia em três pontos para "descarbonizar" as matrizes energéticas nacionais:

-- Eficiência energética: Transporte, edifícios e escritórios que sejam melhor projetados para reduzir o consumo energético, e processos industriais de reciclagem energética.

-- Eletricidade : Substituir usinas energéticas convencionais que consomem combustíveis fósseis (petróleo, gás ou carvão) por geração de energia hidráulica, eólica, solar, geotérmica ou nuclear. Embora o carvão e o gás continuem presentes como fontes energéticas para gerar eletricidade, deverão ser associadas a técnicas de captura e armazenamento de carbono, uma tecnologia que ainda se encontra em fase experimental.

-- Combustíveis alternativos: Os combustíveis fósseis utilizados para o transporte e para a indústria deverão optar por fontes de baixa emissão de carbono, incluindo biomassa.

Implementar essa estratégia requer um investimento "massivo" em tecnologia limpa, afirmou Sachs em uma teleconferência com jornalistas.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Estudantes do AM desenvolvem projeto com métodos sustentáveis de geração de energia

O fogão solar é um dos projetos apresentados na exposição 'Energia: movendo o futuro', promovida pelo Sesc no Studio 5 Mall até o dia 19 de julho na capital

JÉSSICA VASCONCELOS




Katrini Paiva mostra que usar a energia eólica, gerada pelo vento, tem viabilidade 
(J. Renato Queiroz)

Imagine o ribeirinho, que mora longe dos centros urbanos e encontra dificuldades para comprar itens básicos, conseguir cozinhar sem utilizar gás de cozinha ou energia elétrica? Isso já é possível e a tecnologia empregada é simples e muito utilizada em países pobres da África. 

O fogão solar é um dos projetos apresentados na exposição “Energia: movendo o futuro”, promovida pelo Sesc no Studio 5 Mall até o dia 19 de julho. 

Segundo a bacharel em Física Katrini Paiva, é uma das atrações que mais chamam a atenção dos visitantes, por oferecer uma alternativa simples para um problema tão comum nos beiradões do Amazonas.




O fogão de ferro revestido de papel alumínio utiliza apenas a energia do sol para conseguir cozinhar os alimentos. 

Para Katrini, se o uso dessa tecnologia for disseminado para outras pessoas, especialmente em comunidades isoladas do Estado, será possível economizar muitos recursos e reduzir os impactos ao meio ambiente. 

“O custo é baixo, mas claro que é preciso ensinar a população a utilizar essa forma de energia da maneira correta”, explicou Katrini.

Pedaladas ‘enérgicas’

Outra atração da exposição é a bicicleta geradora de energia, em que o visitante pedala até conseguir acender todas as lâmpadas e gerar 220 volts de energia. Fazem parte da mostra ainda equipamentos como o gerador de Van de Graaff, usina hidrelétrica, usina eólica, painel solar, usina termoelétrica, turbina de Heron, gerador eletromecânico, globo de plasma, circuitos elétricos e a pilha de Volta.

Katrini lembra que a exposição apresenta também formas de economizar energia em casa, com a utilização de lâmpadas de pouco consumo. 

“Quando falamos em economizar dinheiro as pessoas sempre se interessam e querem saber mais”, acrescentou Katrini.

De acordo com o professor de biologia e monitor dos estudantes, Klaus Montenegro, é dessa forma dinâmica que os visitantes da exposição aprendem de onde vem toda a energia utilizada no dia a dia, desde a forma mais tradicional, por meio das hidrelétricas, até a energia produzida por circuitos elétricos. 

“A exposição faz com que a população discuta assuntos do cotidiano e todos tenham a oportunidade de vivenciar experimentos e oficinas que levam a refletir sobre sua realidade e a realidade do planeta”, enfatiza Klaus.

O estudante Pedro Lucas de Lima, 25, que estava no shopping e aproveitou para conhecer a exposição, contou que gostou bastante, pois aprendeu coisas que até então não sabia, como que a água das hidrelétricas não gera energia, e sim produz força para que outros fatores produzam a energia. 

“Se, para mim, essa exposição já é bacana, imagina para as crianças, que podem ligar e desligar e ver na prática de onde vem a energia”, disse Pedro.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

INCENTIVO À EFICIÊNCIA ENERGÉTICA PODE RECOLOCAR BRASIL NA ROTA DE CRESCIMENTO


Falta de planejamento de longo prazo, pouco incentivo e as adversidades climáticas estão ampliando as perdas no setor elétrico

A crise energética apenas ressaltou os prejuízos que o desprezo a programas consistentes de eficiência energética trouxeram ao crescimento do país. 

A falta de planejamento de longo prazo, pouco incentivo e as adversidades climáticas estão ampliando as perdas no setor elétrico, haja vista o aumento da divulgação de medidas imediatistas e da necessidade de aportes do Tesouro Nacional a agentes do setor. 

Para o diretor do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBIE) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adriano Pires, palestrante do 11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE), a vantagem da eficiência energética em comparação com as fontes primárias de insumos energéticos do país, que perde muito com o incentivo inadequado à diversificação da matriz, é clara. 

“O sistema de incentivos equivocado do modelo regulatório do setor elétrico brasileiro já mostra que o resultado é um sistema caro, não necessariamente mais limpo, e incapaz de garantir a segurança no fornecimento”.

No entendimento do professor, como política de desenvolvimento, a intensificação do incentivo às demais fontes energéticas representaria uma mudança no viés imediatista do governo atual para a prioridade ao planejamento de longo prazo. 

Consequentemente, o governo reduziria os obstáculos futuros, traria confiabilidade às medidas e propostas implantadas no setor e devolveria ao país segurança institucional e regulatória, recuperando a imagem como destino seguro de investimentos. 

“Mais do que associar o termo ao racionamento de energia, a Eficiência Energética precisa ser encarada como política de competitividade, complementariedade e aumento da segurança no sistema elétrico”.

Para Rodrigo Aguiar, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO), o cenário apontado por Pires se consolida ao mesmo tempo em que as ESCOs (empresas de serviço de conservação de energia, registradas e certificadas pelo QualiEsco, da ABESCO) se organizam e demonstram a viabilidade de ampliação de novos programas, enfrentando a resistência em apoiar efetivamente as ações como alternativa de retomada do crescimento do país. 

“Ainda que a MPME Inovadora (linha de crédito diferenciada pelo BNDES), tenha sido recentemente conquistada com fundamental interferência da ABESCO, essa é apenas uma das formas de incentivar medidas de eficiência energética”.

É neste contexto que a ABESCO reunirá profissionais e empresas no 11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE) e ExpoEficiência 2014.


Serviço
11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE) e ExpoEficiência
21 e 22 de julho de 2014
08h30 às 18h00 - Centro de Convenções Frei Caneca - São Paulo

Fonte: Ultimo Instante