quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Abiquim: setor reduziu consumo de energia em sete anos

Agência Estado Francisco Carlos de Assis



Relatório divulgado nesta terça-feira, 12, pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) mostra que o setor químico reduziu substancialmente o consumo de energia - tanto térmica como elétrica - e combustíveis nos últimos sete anos. 

De 2006 a 2013, de acordo com o documento distribuído durante o XV Congresso Atuação Responsável - A pegada da indústria química, o ar e os novos desafios, o consumo total de energia pelo setor caiu de 416 KWh por tonelada de produto para 337 KWh/t de produto. 

Com isso, a quantidade de energia comprada em 2006, que era de 374 KWh para cada tonelada de produto, recuou no ano passado para 309 KWh.

No mesmo sentido, a energia gerada internamente pelo setor químico recuou de 42 KWh por tonelada de produto em 2006 para 28 KWh no ano passado.

A queima de gás natural, que em 2006 era de 48,7 kg por tonelada de produto, fechou 2013 em 38,3 kg.

O consumo de óleo combustível e carvão saiu de 33,8 kg por tonelada de produto em 2006 para 21,1 kg por tonelada de produto no ano passado. Já o consumo de combustíveis renováveis cresceu de 4,4 kg por tonelada de produto para 5,2 kg por tonelada nos últimos sete anos.

A água captada e a água consumida em processos recuou de 7,41 metros cúbicos por tonelada de produto em 2006 para 4,83 metros cúbicos por tonelada de produto em 2013.

Já o volume de água consumida em processos e produtos caiu de 4,42 metros cúbicos em 2006 para 2,76 metros cúbicos por tonelada no ano passado.

De acordo com o relatório da Abiquim, o setor químico vem realizando esforços para aumentar a eficiência no uso de energia.

De acordo com o documento, as iniciativas de autoprodução e cogeração de energia elétrica possibilitam o reaproveitamento das reações exotérmicas dos processos produtivos e a produção conjunta de vapor e energia elétrica, aumentando a eficiência no uso dos combustíveis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Semana nacional alerta para o uso seguro da energia elétrica




Curitiba - Durante esta semana, voluntários da Copel em todo o Paraná vão às ruas para disseminar orientações sobre o uso seguro da energia elétrica. 

A nona edição da Semana Nacional de Segurança com a Energia Elétrica inicia amanhã e reúne ações de empresas de todo o país, sob a coordenação da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee). 

Com o slogan “Segurança – Escolha a vida”, a campanha tem por objetivo prevenir os acidentes com choque elétrico no Brasil, atuando em seis frentes principais: construção civil, área rural, poda de árvores, furto de energia, instalação de antenas e cuidado com as pipas. 

A seleção dos temas é guiada pela estatística dos acidentes mais frequentes em diferentes regiões do país. 

O amplo trabalho de conscientização tem mostrado bons resultados, já que as taxas de frequência e gravidade dos acidentes com a comunidade diminuem cerca de 4% a cada ano, no Brasil. 

No Paraná, foram registrados dez acidentes fatais com a rede elétrica em 2013. Em 2014, até agora, foram oito ocorrências, sendo três na área rural, quatro na construção civil, e um causado por furto de energia. 

Para fazer com que a orientação chegue à comunidade, um batalhão de voluntários visitará canteiros de obras, cooperativas, lojas de matérias de construção e maquinários agrícolas, escolas e locais públicos com grande circulação de pessoas. 

A mensagem contida nas cartilhas e folhetos será reforçada também através de emissoras de rádio e nos postos de atendimento da Companhia. 

Em Curitiba, a abertura terá apresentações de um teatro educativo para 600 crianças, na Escola Municipal Rio Bonito. Em Londrina, a segunda-feira terá palestras na construção civil e orientações aos transeuntes no calçadão. 

A expectativa da organização nacional é atingir uma população de cerca de 120 milhões de habitantes em todo o país, mostrando que cuidados simples, como manter uma distância segura da rede elétrica, são fundamentais para evitar acidentes. 

Conheça as principais informações que serão divulgadas, durante a campanha.

ÁREA RURAL

Mantenha atenção à rede elétrica ao usar máquinas agrícolas, guardando distância para evitar acidentes durante o deslocamento ou manutenção no maquinário. Os estais – fios que auxiliam a sustentação do poste – nunca devem ser retirados. Outras orientações dizem respeito ao correto aterramento das cercas elétricas, cuidados de distância entre o sistema de irrigação e a rede elétrica, além da prevenção de queimadas.

PODA DE ÁRVORES

A poda de árvores é um serviço que deve ser realizado somente por profissionais preparados e qualificados. Não plante árvores de grande porte próximo à rede elétrica e, se for preciso podar galhos perto da rede, entre em contato com a Copel.

PIPAS

Oriente as crianças a jamais usar materiais metálicos ou cerol na confecção do brinquedo e, caso a pipa fique presa à rede elétrica, não tentar resgatá-la. O ideal é brincar sempre longe dos fios de energia elétrica.

ANTENA DE TV

ao instalar ou consertar antenas, cuidado com a rede elétrica. Escolha um lugar afastado dos fios da rede elétrica e procure efetuar o serviço quando o tempo estiver bom. Caso a antena caia nos fios, nunca tente segurá-la ou recuperá-la.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

II Seminário de Tecnologia e Desenvolvimento para Smart Grid



Fonte: Institutos Lactec 
Paraná - As redes inteligentes de distribuição de energia elétrica (Smart Grid) vêm sendo implantadas em diferentes níveis e com diferentes aplicações tanto no Brasil quanto no mundo. 

Estas aplicações têm gerado novos paradigmas que chamam a atenção de toda comunidade técnico - científica envolvida no Setor Elétrico Mundial, no tocante ao desenvolvimento tecnológico e sistêmico para viabilizar o atingimento as premissas deste novo modelo.

O Brasil, igualmente, tem demonstrado muito interesse no tema, com as Concessionárias apresentando desenvolvimentos de projetos piloto e direcionando ações de Pesquisa e Desenvolvimento para suprir suas necessidades de soluções de tecnologia para Smart Grid.

Objetivos:
O Seminário tem por objetivo discutir tecnologia e desenvolvimento para Smart Grid, considerando os aspectos de medição inteligente, automação inteligente das redes de distribuição, gerenciamento pelo lado da demanda, integração de geração distribuída e veículos elétricos e sua aplicação ao Setor Elétrico Brasileiro através da apresentação de cases de sucesso e aprofundamento nos temas supracitados.

Motivação:
Propõe-se uma abordagem técnica e prática, pondo em pauta o contexto mundial, as tecnologias disponíveis, projetos piloto, experiências internacionais, promovendo o debate e direcionamento de desenvolvimento de tecnologia para Smart Grid, contemplando:

Medição Inteligente;
Automação inteligente de redes de distribuição;
Gerenciamento pelo lado da demanda;
Conexão de geração distribuída em Smart Grid;
Impacto da conexão de Veículos Elétricos à rede;
Regulação.

Data: 25 e 26 de setembro de 2014

Local: Auditório Caio Amaral (Fiep/Campos da Indústria), Av. Comendador Franco, Nº 1341 - Jardim Botânico – Curitiba/PR

Público-alvo:
Profissionais do setor elétrico;
Profissionais da área de Telecomunicações e Computação;
Professores e estudantes dos cursos de Engenharia Elétrica; Pesquisadores de Sistemas de Potência;
Profissionais do setor industrial.

Aneel está preocupada com a baixa eficiência energética das PCHs

Abragel rebate declaração da agência e argumenta que dados mostram o contrário

Por Wagner Freire


A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu encerrar a audiência pública nº 68/2012 sem um encaminho normativo. A audiência tratou da definição de parâmetros regulatórios associados à aprovação de projetos básicos de hidrelétricas não despachadas centralizadamente. 

"Ainda que a proposta (AP68) contemple parte do problema dos parâmetros de eficiência eletroenergética, não compreende a totalidade dos estudos definidos do potencial hidrelétrico que corresponde ao cerne do processo em questão", disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, na última terça-feira (29/7), durante reunião ordinária.

O desfecho foi considerado positivo pela Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), mas não quanto à manifestação do diretor-geral, Romeu Rufino, que declarou permancer "a preocupação com o fato de que grande parte as usinas não despachas centralizadamente gera sistematicamente abaixo de sua garantia física. 

Diante desta constatação, a Aneel não pode ficar inerte, devendo buscar medidas para a convergência entre garantia física e a capacidade de geração das usinas".

"Nós discordamos radicalmente dessa afirmação”, disse Charles Lenzi, presidente da Abragel. “Dados de geração da própria Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que, em termos de fontes renováveis, as PCHS são as que apresentam, na média dos últimos treze meses, o melhor fator de capacidade."

Segundo, Lezi o encaminhamento da Aneel teve um ponto positivo, na medida que atende a um dos pleitos da associação: simplificar os procedimentos de análise de projetos básicos de pequenas centrais hidrelétricas. Entretanto, a Aneel deu sinais de que continuará buscando um regulamento mais rigoroso no que se refere aos parâmetros técnicos que levam ao cálculo da garantia física.

A AP68 "tabelava" uma série de parâmetros técnicos relacionados à definição da garantia física de empreendimentos hidrelétricos. No entendimento dos agentes, porém, tal padronização penalizaria os melhores projetos, podendo, inclusive, comprometer a viabilidade econômica de algumas usinas. Além disso, a unificação dos parâmetros proposto na audiência pública desestimularia esforços em eficiência e aumento de produtividade das usinas. "O que a gente entende, em termos de pequenas centrais, é que cada projeto é único e precisa ser analisado como tal", disse Lenzi.

Diante dos argumentos, a Aneel decidiu encerrar a AP68, mas sugeriu uma mudança nas regras que envolvem a garantia física. "Considero que alongar a responsabilidade do agente titular do projeto básico, em caso de eventual produção energética aquém das expectativas, é uma alternativa a ser avaliada nesse processo", disse Rufino. "Como o agente é responsável pelas informações que submete à Aneel, ele também deve arcar com a responsabilidade da não confirmação da produção energética do projeto", completou. 

Para ele, a geração abaixo do esperado não deve ser suportada integramente pelo Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), onerando terceiros e prejudicando o planejamento. "Deve ser alocado ao responsável pelo empreendimento. O agente deve avaliar os efeitos das informações pertinentes ao projeto básico." De acordo com o diretor-geral da Aneel, o desafio do novo ato normativo será buscar o equilíbrio entre o resultado a garantia física e a geração de energia.

A garantia física é a energia efetiva que uma usina é capaz de gerar em condições normais de afluências. Ela serve como fiador na hora do agente buscar financiamento para os seus projetos, bem como baliza o equilíbrio econômico e financeiro do empreendimento. Quando uma usina gera abaixo (e é participante do MRE) outros agentes compensam aquela falta de geração.

Lenzi afirmou que vai procurar a diretoria da Aneel para debater o assunto e ter um pouco mais de entendimento a respeito dessa preocupação. "Vamos apresentar nossos argumentos", finalizou.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Certificação para LED deve transformar mercado de iluminação

Produtos de baixa qualidade estão com os dias contados.




Nos próximos meses deve ser publicada a Portaria do Inmetro nº 477, que estabelece níveis mínimos de qualidade para lâmpadas de LED. Os prazos para as mudanças chegarem ao consumidor devem ser conhecidos quando publicado o decreto no Diário Oficial.

Se o setor de iluminação já passou por abruptas mudanças com o surgimento dos LEDs (sigla em inglês para diodo emissor de luz) e a retirada das incandescentes, as transformações impostas pelo regulamento devem renovar o panorama do nicho. 

“Esperamos que esta norma possa retirar do mercado os produtos com tecnologia LED de baixa qualidade e que possa também padronizar alguns parâmetros facilitando para que o consumidor possa escolher o melhor produto para sua aplicação”, afirma Fabio de Oliveira, engenheiro de produtos da Lâmpadas Golden.

A empresa, que aplica esforços em laboratórios de testes para garantir a qualidade de seus produtos, prevê que muitas marcas devem sair do mercado por não atenderem aos padrões mínimos e não possuírem investimento para melhoria de seus produtos e para submetê-los aos testes necessários. 

No campo de evolução cientifica, Oliveira acredita que a portaria estimulará o contínuo progresso como distinção do LED. “Quanto melhor for o produto, mais diferencial ele tem e não haverá barreiras nem na certificação, nem na pesquisa”, diz.

O regulamento será compulsório e terá diferentes prazos para adequação, como aconteceu nas mudanças recentes da lâmpada fluorescente compacta. As exigências técnicas foram baseadas em normas internacionais, reuniões com empresas e entidades representativas do setor, além da consulta pública que terminou em dezembro de 2013.

O consumidor poderá identificar os produtos certificados por selos nas embalagens, como acontece no Programa Brasileiro de Etiquetagem, com a Ence (Etiqueta Nacional de Conservação de Energia). 

Enquanto o prazo final não chega, o consumidor deve escolher marcas reconhecidas pelo mercado, que possuam tradição no segmento de iluminação e que tenham outros produtos que atendam outras normas de qualidade.


Hotel fazenda em São Paulo celebra produção de energia própria

Empreendimento localizado a 70 km da Capital, líder em práticas sustentáveis, é o primeiro da categoria a construir uma usina fotovoltaica.





Comemorando o pioneirismo na utilização de energia limpa com a instalação de sua própria usina fotovoltaica, o Hotel Fazenda Spaventura apresenta os primeiros resultados com o investimento.

O uso da tecnologia já representa uma economia mensal de R$ 1.800,00/mês, tornando o hotel auto suficiente em energia limpa.

A produção total já atingiu 4.500 KWh/mês. Do ponto de vista ambiental, essa inovação representa uma compensação equivalente a 308 kg de co2 /mês, ou 3.700 kg de co2/ano.

Esse aspecto inovador trás aos proprietários uma tranquilidade, principalmente no momento em que aumentam as preocupações com o uso correto da água, o que está diretamente ligado ao abastecimento de energia elétrica.

“Somos uma empresa que acredita na geração de energia solar como uma forma eficiente e real de fazer algo para reverter os problemas causados pelas mudanças climáticas”, ressalta a empresária e sócia do SPaventura, Patrícia Haberkorn.

A construção da usina, que possui 160 placas, teve um investimento de mais de R$ 500 mil, atende o conceito de sustentabilidade total que o empreendimento oferece.

“Os benefícios são principalmente ambientais. Com a usina fotovoltaica estamos lançando na rede energia limpa. Isto significa redução da demanda que normalmente exige o uso de fontes hidrelétricas localizadas a grandes distancias”, explica Patricia.

Segundo ela, mesmo nos meses em que a intensidade do sol, é menor, o hotel não tem preocupação já que a própria claridade auxilia no aquecimento das placas, mantendo a produção de energia elétrica.

A expectativa é de uma redução em torno de quatro toneladas de CO2/ano, que normalmente seria jogado ao meio ambiente.

Além disso, o sistema vai proporcionar aos hóspedes a oportunidade de ver de perto este novo meio de energia sustentável, e saber, por exemplo, a quantidade de energia produzida em determinado dia, e o quanto de carbono evitado isso representa.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Custo da energia ameaça frear economia, alertam analistas

Ruth Costas Da BBC Brasil

Governo nega que haja risco de apagão ou 'crise no sistema'

O alto custo da eletricidade no Brasil e incertezas sobre o abastecimento desse insumo ameaçam tornar-se mais um freio para a economia, alertam analistas consultados pela BBC Brasil.

De acordo com Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), é difícil quantificar com precisão o impacto dessa combinação sobre o PIB, "mas ele certamente será significativo, principalmente na indústria".

"Já temos até empresas inadimplentes, que ameaçam fechar as portas por não estarem preparadas para esse aumento em seus custos de energia."
A seca e o baixo nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste fizeram o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo - o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) - bater seu valor máximo (permitido por lei) de R$ 822 o megawatt hora (MWh) no primeiro semestre (caindo para algo em torno de R$ 700 nas últimas semanas).
Em parte isso ocorre porque, sem chuvas, é preciso acionar usinas termelétricas, cujo custo de operação é maior.
Para se ter uma ideia, em períodos de chuvas regulares, dentro da média histórica, o preço da energia nesse mercado costuma ficar abaixo dos R$ 100 o MWh. Há três anos, rondava os R$ 30.

Em meio a uma alta tão acentuada, começaram a vir à tona notícias de empresas eletrointensivas que, para amenizar as perdas causadas pela desaceleração econômica e demanda fraca, estão vendendo seu excedente de energia no mercado de curto prazo - e lucrando mais do que se estivessem produzindo.

Venda de energia

"Em geral são empresas que usam muita energia, como produtoras de alumínio, ferroligas e cloro-soda", explica Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.

"Algumas são sócias em usinas ou têm contratos antigos de compra de energia, que lhes garantem um suprimento do insumo a preços mais baixos."

Além disso, o alto custo no mercado de curto prazo também estaria afetando a negociação de contratos de médio e longo prazo, como explica Leontina Pinto, diretora da consultoria Engenho e ex-pesquisadora do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel).

Segundo Pinto, um cenário de "incertezas" sobre o suprimento energético estaria levando muitas empresas a revisar seus planos de investimentos.


Hidrelétricas respondem por maior parte da energia consumida no Brasil

"Para começar, com a alta do preço a curto prazo, ninguém vende a longo prazo - então não há energia para quem quer manter a produção", diz ela.

"Além disso, com a ameaça de racionamento, muitas indústrias optaram por não esperar o possível 'apagão' e já decidiram reduzir a sua produção no país, substituindo-a por importações ou remanejando a produção para o exterior - o que é um duro golpe na indústria, e pode ter consequências muito severas para a economia."

Opiniões divergentes

O tema, porém, é controverso. Para Walter de Vitto, da consultoria Tendências, por exemplo, não surpreende que o alto preço da energia estimule as empresas a cortar o consumo.

"De certa forma, esse é um mecanismo de autorregulação do setor: com menos consumo, os preços tendem a cair."
Segundo De Vitto, apesar do atraso na construção de algumas usinas, estão sendo tomadas ações adequadas para a expansão do sistema elétrico e os custos altos de energia são um problema essencialmente conjuntural.

O nível dos reservatórios das usinas do Sudeste/Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de armazenamento do país, hoje está em 35%, contra 62% de julho do ano passado.

"O problema é que esse mecanismo de ajuste do consumo ao preço só existe no mercado livre, que atende grandes consumidores", opina de Vitto.

"No (mercado) regulado, a distribuidora está bancando esse aumento de custo e só vai repassar as perdas para os consumidores na revisão das tarifas."
Mercado

No Brasil, os grandes consumidores compram energia elétrica das geradoras no chamado mercado livre, não regulado pelo governo e nos quais as condições dos contratos são definidas livremente.

Já as distribuidoras que abastecem residências, comércios, pequenas indústrias e serviços adquirem o insumo no mercado cativo (ou regulado), em leilões nos quais as condições de preço são determinadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Os contratos desses dois mercados são registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que mede a energia efetivamente produzida e consumida por cada agente do sistema elétrico.

Quem consumiu mais do que contratou paga a diferença pelo PLD no chamado mercado de curto prazo. E quem consumiu menos, recebe pelo mesmo preço, cujo cálculo considera a disponibilidade de água para a produção de energia (ver esquema abaixo).



"Como algumas distribuidoras não tinham contratado toda a energia utilizada, acabaram com uma conta bilionária com a alta do PLD", explica de Vitto.

Em abril, o governo intermediou um empréstimo de R$ 11,2 bilhões para ajudar as distribuidoras e agora articula outro de R$ 6,5 bilhões.

"Tais custos terão de ser repassados para os consumidores, por isso em 2015 prevemos um aumento da tarifa de energia elétrica de 20% a 25%, que representaria um impacto de 0,54 a 0,68 ponto percentual na inflação", diz o especialista da Tendências.

'Peça de ficção'

O Ministério de Minas e Energia nega que seja necessário um reajuste de tal magnitude para acomodar as perdas das distribuidoras - só admite um aumento de 2,6% em 2015.

Segundo Márcio Zimmermann, secretário-executivo do ministério, "é peça de ficcção falar em crise energética no Brasil" e a prova da "saúde" do sistema seria a atração de um grande volume de investimentos para sua expansão.

O ministério também não vê risco de racionamento - ou problema na venda de energia por empresas eletrointensivas.

"Se elas não usam a energia contratada podem vendê-la - essas são as regras do jogo", diz.

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) concorda com esse ponto de vista e nega que haja empresas parando de produzir para vender energia.



Produtoras de alumínio estão entre as grandes consumidoras de energia

"Isso não faria sentido do ponto de vista estratégico - mas se por um motivo ou outro sobra energia, é direito das empresas vender esse insumo", diz Camila Schoti, coordenadora de energia da Abrace.

A associação, porém, reclama dos efeitos do alto preço da eletricidade sobre a competitividade da indústria nacional.

"Países como França e Canadá têm políticas bem-sucedidas de redução do custo desse insumo para a indústria", exemplifica Schoti. 

"A falta de chuvas de fato é uma questão conjuntural, mas seria importante adotar estratégias de longo prazo que reduzissem os encargos para as empresas ness área."

Solução

Não está claro até que ponto um aumento do volume de chuvas representaria uma solução definitiva para a questão.Para Sauer, por exemplo, a hidrologia atípica apenas expôs problemas estruturais do atual sistema elétrico brasileiro.

Ele opina que o governo teria errado, por exemplo, ao tentar impor uma redução de tarifas, sem garantir uma queda nos custos das distribuidoras.

"O sistema deveria ser planejado de modo a não depender de mais ou menos chuva", diz ele. "O país tem recursos eólicos e hidráulicos suficientes para dobrar seu consumo de energia, mas para isso são necessários investimentos e uma gestão mais racional do sistema.

"Já para de Vitto, o sistema parece ser relativamente adequado às necessidades energéticas brasileiras."

O que essa crise conjuntural está mostrando é que talvez seja interessante um colchão financeiro para amenizar a variação de preços."