quarta-feira, 27 de maio de 2015

ANEEL realiza Fórum sobre Eficiência Energética e Geração Distribuída

Entre os temas abordados, estão políticas públicas, financiamento, experiências no exterior e iniciativas no Brasil


A ANEEL promove nesta quinta-feira (28), o Fórum sobre Eficiência Energética e Geração Distribuída, na sede da Agência em Brasília. 

O evento tem a finalidade de levantar uma agenda propositiva nesses dois campos. 

O Fórum será transmitido ao vivo pelo portal da ANEELe as inscrições para participação já foram encerradas.

Os painéis serão moderados pelos diretores da Agência e pelo superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética, Máximo Luiz Pompermayer. 

Entre os debatedores estão o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Jorge Paglioli Jobim, o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago Oliveira, o diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética, Amilcar Guerreiro, e a responsável pelo Procel (Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica), Renata Leite Falcão. 

Também integrarão as mesas Rodrigo Aguiar, presidente da Abesco, Marco Delgado, diretor da Abradee, e os professores Jamil Haddad (Excen/Unifei) e José Roberto Simões Moreira (USP).

Entre os temas abordados, estão políticas públicas, financiamento, experiências no exterior e iniciativas no Brasil. 

Por meio do Fórum, espera-se difundir boas práticas e avanços tecnológicos, além de promover o diálogo entre diferentes visões.

O evento começa às 8h30 com encerramento previsto para 18h30.

Mais informações:www.aneel.gov.br

terça-feira, 28 de abril de 2015

Audi cria Novo Combustível Ecológico usando Água e Ar

Novo Combustível Ecológico possui eficiência energética superior ao Diesel Comum e a Gasolina.

Nesta semana, a montadora Audi informou que pode ter criado o "combustível do futuro", isso porque ele éproduzido a partir de água, dióxido de carbono e fontes renováveis de energia. 

O combustível está sendo chamado de "e-diesel" e ao contrário de seu irmão diesel, ele não contém enxofre ou outros poluentes. 

Não bastasse isso, é importante citar que o novo combustível possui uma eficiência energética de 70%.

Este novo combustível foi criado através de uma parceria entre a Audi e a empresa alemã Sunfire, que busca criar novas tecnologias limpas para serem utilizadas nos carros da montadora.

O novo combustível é criado através do aquecimento de uma quantidade de água à cerca de 800 ºC, que gera um processo de eletrólise onde o oxigênio é separado do hidrogênio. Para aqueles que não sabem, eletrólise é um processo químico que transforma energia elétrica em química.

A partir deste processo, o hidrogênio criado reage com o CO2 em reatores criados especificamente para a síntese de produtos químicos. Vale lembrar que esta reação acontece novamente em alta pressão e temperatura.

O produto desta reação entre CO2 e Hidrogênio é um líquido composto por hidrocarbonetos de longas cadeias conhecido como "azul cru".

Após a criação deste combustível sintético, ele pode ser misturado ao diesel ou ser usado de forma independente como combustível.

Segundo a Sunfire, o preço de mercado deste diesel sintético deve variar entre 1 e 1,5 euro por litro (cerca de R$ 4,7). 

Este valor é apenas um pouco mais caro do que o diesel comum vendido na Europa. 

Apesar de ser mais caro, o produto possui uma eficiência energética muito maior que o diesel comum (que possui uma eficiência energética de 45%) e que a gasolina (que possui uma eficiência de 20%).

Um detalhe importante de se citar é que todo o processo para a produção do combustível é ecologicamente correto. 

Isso porque a eletricidade usada para aquecer a água é gerada através de turbinas eólicas. 

Já o CO2 utilizado na reação é capturado diretamente do ambiente, retirando do ambiente parte deste gás causador do efeito estufa.

Confira no vídeo abaixo todo o processo de produção deste novo combustível:





sexta-feira, 24 de abril de 2015

Da era dos renováveis e do petróleo

Por Stefan Salej



Os investimentos em fontes de energia renovável no mundo igualaram-se no ano passado aos investimentos em exploração de petróleo, gás, carvão e outras fontes de energia fósseis juntos. 

A queda do preço do petróleo persiste, apesar dos conflitos armados no Oriente Médio, em se manterem níveis de 40- 50 % abaixo dos de um ano atrás. E a perspectiva é de que o uso de energias renováveis como a solar, biomassa , eólica, e outras dobre até 2030. 

E que, em 2050, a energia solar seja a principal fonte energética do mundo.

A marcha da mudança da matriz energética está em curso e é irreversível. 

O problema que se coloca não é mais tecnológico, mas financeiro. 

Para continuar esse processo, serão necessários investimentos de no mínimo de 500 bilhões de dólares ao ano no mundo inteiro. 

Mesmo que os preços dos painéis solares caiam, como também estão caindo os preços das baterias para carros elétricos, ainda serão precisos muitos recursos para que as energias renováveis suplantem o uso de energias fósseis como o petróleo. 

E é importante também salientar que não são só os preços estão caindo, também a eficiência energética destes equipamentos estão aumentando muito.

Na área de petróleo e gasolina, e no que se refere a automóveis também, há dados interessantes a considerar. O consumo mundial de derivados de petróleo está diminuindo e a produção, aumentando. 

O mundo consome menos petróleo hoje do que há cinco anos e produz mais. Então, é lógico que o preço tenha que cair. E caiu. Os automóveis também são mais eficientes. 

A eficiência de consumo dos automóveis em termos mundiais aumentou em 60 % nos últimos 13 anos. E claro que isso bate na redução do consumo de gasolina.

Os carros elétricos aumentaram suas vendas em cinco vezes nos últimos quatro anos nos Estados Unidos e já representam 0.6 % do total de vendas de automóveis naquele país. 

Mas, o uso de etanol por lá, que era a vedete da mudança, permanece em 10 %, embora os investimentos em novas usinas de etanol tenham diminuído em 90 % desde 2007.

Para um estado que era chamado caixa d’água do Brasil, essas mudanças e as suas perspectivas devem ser analisadas com muita atenção. 

Estamos perante os novos desafios de uma nova matriz energética. A falta de energia e o seu preço alto são só parte da situação, o problema é bem maior.

STEFAN SALEJ é consultor internacional, ex-presidente da Fiemg e Sebrae Minas.

Blairo: “País perde competitividade com atual matriz energética”

Segundo o Senador mato-grossense, o Brasil está muito aquém de outras nações quando o assunto é produção energética. Para ele, o viés ideológico de alguns setores da sociedade atrapalha o avanço das discussões

Edição: Sonir Boaskevicz

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Blairo: “País perde competitividade com atual matriz energética”
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(Brasília) - Durante sessão na Comissão de Infraestrutura no Senado (CI), na quarta-feira (22.04), foi realizada audiência para apresentar o resultado de pesquisa feita pelo Data Senado, em parceria com a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, sobre as opiniões dos brasileiros acerca de políticas energéticas adotadas no Brasil.



Os números apontam que a população anseia por mudanças no setor, já que 97% declarou preocupação com as questões climáticas e 96% com a poluição do ar. 

Para Thiago Cortez Costa, assessor da Secretaria de Transparência do Senado Federal - responsável pela apresentação da pesquisa-, em outros países até as discussões sobre o tema são negadas. 

“Eles negam o debate para evitar terem que mudar o padrão de desenvolvimento em seus países. Diferente do Brasil que a própria população quer essas transformações e esses projetos que gerem energia limpa”, disse.

Segundo consta, 85% dos entrevistados concordam que o País invista mais em energia eólica e solar, e, ainda, que as concessionárias de energia devam usar parte dos seus lucros para financiamento de projetos de avanço tecnológico nesses tipos de energia. 

Outros 76% defendem que parte dos impostos arrecadados pelo Governo Federal também sejam aplicados em políticas de incentivo à energia limpa.

Para o senador Blairo Maggi a questão vai além. 

Segundo cita, é preciso que a população entenda a viabilidade de cada iniciativa, já que o brasileiro ainda paga um alto preço pelo modelo adotado quando o assunto é meio ambiente.

“Nós, cidadãos brasileiros, pagamos caro pela política que foi estabelecida em nome da questão ambiental. Tudo em detrimento da produtividade e do ganho de escala desses projetos. 

Ocorre que o Brasil está em larga desvantagem em relação a outros países, quando têm matrizes energéticas ou produção de energia mais barata”, declarou Maggi.

Blairo lembra que é preciso repensar a forma como as informações norteiam as opiniões. A imprensa, segundo cita, tem papel decisivo nesse contexto.

Reserva de água - “A imprensa, quando bombardeia, por exemplo, as construções de hidrelétricas, influencia diretamente na opinião da população. Porém, o mundo inteiro usa água de chuva, e reserva para depois usar, quando não tem mais. 

No Brasil, infelizmente, ainda não tivemos esse entendimento. Aqui quando a ‘reservação’ é permitida, o empresário tem que ter muita persistência para vencer as sucessivas liminares e conseguir gerar energia”, desabafou.

Maggi encerrou sua participação no debate lembrando o caos vivido pelo setor nos últimos meses, como na cidade de São Paulo. 

“Penso que precisamos de áreas maiores para termos lagos que comportem a demanda em época de escassez de chuvas, por exemplo. 

Não tivemos um racionamento geral há alguns meses por que as termoelétricas foram acionadas, mas, por isso, o custo da energia no Brasil triplicou”, explicou.

A pesquisa - O Data Senado ouviu 1166 pessoas, em diversos estados brasileiros, por questionário feito via telefone, com os registros da Anatel. 

Ficou constatada a tendência do brasileiro em pagar mais pela energia que consome quando o custo maior estiver ligado à geração de energia limpa, à eficiência energética e da própria rede elétrica.

Invenção transforma água do mar em potável com energia solar

Getty Images

Água: invenção usa energia solar para deixar água salgada
própria para consumo

São Paulo – Uma parceria entre membros do MIT e de uma empresa indiana chamada Jain Irrigation Systems criou um método para transformar água salgada em potável. 

Por conta da invenção, eles foram os vencedores de um desafio da USAID, um órgão do governo americano que lida com populações que passam necessidades.

O objetivo do desafio era criar um sistema simples e barato para fornecer água limpa para comunidades rurais em países em desenvolvimento. Pela vitória, eles receberam um prêmio de 125 mil dólares.

O sistema usa uma técnica chamada eletrodiálise. Em uma explicação simples, o sal é dissolvido na água e se transforma em partículas com cargas elétricas positivas e negativas. 

Para remover essas partículas, o sistema usa membranas elétricas que atraem as cargas como se fossem imãs.

“Funciona como um circuito elétrico. Os íons são puxados para fora da água em direção aos eletrodos”, disse Natasha Wright, doutoranda no MIT e uma das criadoras do sistema, ao jornal Boston Globe. 

Ela ainda ressalta que apenas 5% da água é perdida nesse processo.

A dessalinização é feita usando baterias, similares às de carros e caminhões. Elas são carregadas durante o dia utilizando painéis que captam energia solar, o que dá um caráter ecológico à invenção.

Uma unidade do sistema é capaz de abastecer água para irrigar uma pequena fazenda ou então para atender às necessidades de uma população de cinco mil pessoas.

Apesar do foco em países em desenvolvimento, a invenção pode ser importante também para grandes áreas metropolitanas.

Problemas graves com escassez de água assombram o estado de São Paulo desde o ano passado. O estado da Califórnia, nos Estados Unidos, também vem enfrentando uma crise hídrica histórica.

Seminário discute as propostas da Volvo para eletromobilidade e combustíveis alternativos

Argumentos sustentáveis - Eletromobilidade e combustíveis alternativos são soluções prioritárias da Volvo para o transporte da passageiros e cargas

Em tempos onde o marketing ecológico ganha cada vez mais peso na indústria automotiva mundial, a Volvo escolheu uma meta ousada: ser líder mundial em transporte sustentável. 

Em um seminário realizado na cidade catarinense de Itajaí, nas instalações edificadas para a realização da etapa brasileira da regata transoceânica Volvo Ocean Race, a marca sueca reuniu alguns de seus especialistas para falar sobre suas apostas no transporte coletivo de passageiros e de cargas. 

Nos ônibus, a eletromobilidade busca soluções seguras, rentáveis e amigáveis com o meio ambiente. 

Já em termos de caminhões, a fabricante sediada em Gotemburgo desenvolve motores capazes de ter o máximo de eficiência energética e de rodar com combustíveis alternativos e renováveis.


Volvo Hibribus em Curitiba

Para o transporte de cargas, os combustíveis alternativos são a base da política da Volvo de buscar maior eficiência energética com o menor impacto ambiental possível. 

Atualmente, a Volvo estuda três alternativas especialmente interessantes: Metano – Gás Natural ou GNL –, HVO e DME. 

O caminhão Volvo metano-diesel já foi inclusive introduzido comercialmente no Reino Unido, Suécia e nos Países Baixos. Já o GNL – Gás Natural Liquefeito – é especialmente adequado para tráfego regional e rotas de longa distância. 

No Brasil, a Volvo é a primeira marca a testar um caminhão movido a GNL – Gás Natural Liquefeito – e a diesel. O veículo é movido com cerca de 70% de GNL e o restante a diesel. “Esta é uma tecnologia viável. 

Os primeiros caminhões movidos a GNL fabricados pela Volvo já estão circulando com sucesso na Europa e nos Estados Unidos. 

O gás liquefeito é uma importante alternativa para os atuais combustíveis”, ressalta Nilton Roeder, diretor de estratégia de caminhões do Grupo Volvo América Latina.





Já o HVO é um diesel sintético, que pode ser usado com a tecnologia atual. 

É possível substituir uma proporção de diesel por gás metano, hoje o combustível alternativo mais acessível. 

É relativamente barato em muitos mercados e oferece ganhos em emissões de particulados e de dióxido de carbono. 

Esta é uma grande vantagem, pois as regulamentações ambientais em áreas urbanas, por exemplo, cada vez mais exigem transporte com o menor impacto ambiental possível.





A terceira maior aposta da Volvo em termos de combustíveis alternativos é o DME, o dimetil éter, um gás manuseado em forma líquida sob baixa pressão que é produzido pela gaseificação de biomassa. 

“É a melhor opção do ponto de vista ambiental, proporcionando 95% menos emissões de dióxido de carbono. 

Comparando-o com outros combustíveis, oferece um aumento na eficiência energética com potencial para substituir 50% do diesel atualmente usado no transporte rodoviário pesado até 2030 na Europa. 

Mas existe um limite para a produção de biocombustíveis. No futuro, iremos precisar de mais de um tipo de combustível”, observa o Lars Matensson, diretor de meio ambiente da Volvo Trucks. 

Segundo ele, a produção em escala de biodiesel na Europa substitui apenas 3% do consumo de diesel.





Em termos de transporte de passageiros, o portfólio da Volvo Bus é composto por veículos movidos a diesel, híbridos e elétricos híbridos. 

Os ônibus híbridos começaram a ser comercializados pela Volvo em 2010 e atualmente mais de dois mil híbridos da marca estão em circulação em 21 países, em cidades como Londres, Edimburgo, Viena, Estocolmo, Gotemburgo, Bogotá e Curitiba. 

“O desenvolvimento do transporte urbano eletrificado tem evoluído muito rapidamente”, explica Hakan Agnevall, presidente mundial da Volvo Bus. 

Segundo a Volvo, o sucesso dos modelos híbridos deve-se à segurança operacional, tão alta quanto a dos ônibus com motores diesel, e também por ser economicamente viável. 

Mesmo com um investimento inicial maior, a marca assegura que o custo total do veículo é igual ao de um modelo a diesel operando nas mesmas condições, devido à redução dos gastos com combustível e por oferecer a mesma capacidade de transporte de passageiros.





Já os ônibus elétricos híbridos possuem tecnologia plug-in, que permite recarga rápida nos pontos de embarque e desembarque de passageiros. 

O transporte coletivo com veículos elétrico híbridos já está em operação em Gotemburgo, na Suécia; Hamburgo, na Alemanha; e na cidade de Luxemburgo, em Luxemburgo. 

Lançado comercialmente em agosto do ano passado, na feira IAA em Hannover, na Alemanha, o modelo elétrico híbrido possui tecnologia plug-in. Segundo o fabricante, reduz o consumo de combustível e de emissão de gás carbônico em até 75%, em comparação com o ônibus diesel convencional. O consumo total de energia é reduzido em 60%. 

O elétrico híbrido é oferecido às cidades com um pacote abrangente, que inclui também infraestrutura para recarga da bateria nos pontos de parada e serviços de pós-venda para otimizar a operação. 

Como no modelo híbrido, a bateria não é vendida junto com o veículo, é cedida ao operador de transporte por um custo fixo por quilômetro rodado.





A Volvo desenvolve no Brasil, conjuntamente com a matriz na Suécia, seu ônibus elétrico híbrido articulado. 

O início dos testes com o veículo está previsto para 2016 em Curitiba, no Brasil; e em Bogotá, na Colômbia. 

Há ainda a previsão de avançar o projeto para outras cidades na América Latina, como Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil; e Santiago, no Chile. 

“Estamos customizando um projeto global para atender as necessidades de transporte da América Latina de ônibus de alta capacidade para circular nos corredores do BRT. 

A demanda por ônibus com baixas ou zero emissões está crescendo na América Latina. Bogotá, adotou um ousado plano de redução de emissões no transporte urbano. 

No Brasil, Curitiba e Rio de Janeiro também estão caminhando nesta direção”, aponta Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America.





Paralelamente aos projetos de eletromobilidade e combustíveis alternativos, a Volvo aposta também em outras alternativas mais a longo prazo, como estradas elétricas e o Platooning, comboios de veículos conectados eletronicamente entre si. 

A nova linha de caminhões da Volvo ampliou consideravelmente a conectividade como uma importante ferramenta para aumentar a eficiência no transporte. 

“Não basta oferecer produtos de ponta. 

É necessário que tenhamos o veículo correto para cada aplicação do transportador”, afirma Nilton Roeder.

Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira (Auto Press)
Fotos: Divulgação

quinta-feira, 23 de abril de 2015

ALEMANHA REFORMULA POLÍTICA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS

Expansão das tarifas de energia elétrica é uma das causas da mudança




A Alemanha ocupou manchetes do mundo todo ao anunciar que abandonaria a energia nuclear em favor de energias renováveis, adotando o programa de transição energética conhecido como energiewende. 

Essa transição, porém, sofreu um freio de arrumação com a entrada em vigor da nova lei de incentivo às fontes de energia renováveis. 

A EEG 2.0 (Erneuerbare Energien Gesetz – Lei das Fontes de Energia Renováveis), que representa um forte ajuste na política energética alemã de apoio a essas fontes, é resultado de intensas pressões advindas principalmente dos setores industrial e elétrico alemão, assim como da própria Comunidade Europeia.

O energiewende, que tem custo estimado de um trilhão de euros até 2030, sofreu abalos principalmente por causa da subida vertiginosa das tarifas de energia elétrica, consequência, entre outros motivos, da forte expansão da energia solar subsidiada por um esquema de tarifação que garante sua rentabilidade pelos próximos 20 anos.

Para se ter uma ideia, os grandes consumidores de energia elétrica pagam, em média, 100 euros por MWh enquanto, nos Estados Unidos, esse custo é de 55 euros. 

Pressionado, o governo alemão decidiu reduzir as subvenções às renováveis para manter a competitividade de sua indústria.

Entre os pontos principais da EEG 2.0, destacam-se a redução do apoio à instalação de novas plantas e dos incentivos a essas tecnologias ao longo do tempo, revisão dos bônus pagos aos geradores de energias renováveis (que, em muitos casos, poderão ser abolição) e fim do privilégio dado à energia verde gerada no país em detrimento da energia vinda de fora.

Para o governo, essas mudanças não visam prejudicar o meio ambiente ao tirar incentivos às energias renováveis, mas sim garantir a competitividade da indústria alemã para não afetar o desempenho econômico do país. 

Isso não significa o abandono das renováveis, cuja expansão, porém, deverá ser coordenada com os demais setores para sanar eventuais desequilíbrios.