quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pequenos negócios deveriam ter tratamento diferenciado na política energética nacional


Rio de Janeiro - Ricardo Wargas, gerente de inovação e acesso à tecnologia do Sebrae RJ, é grande conhecedor do tema Eficiência Energética e seu impacto nos pequenos negócios; ele é o novo entrevistado do site CSS


O Sebrae Rio de Janeiro foi uma das primeiras instituições a se dedicar ao tema Eficiência Energética (EE) no país. 

Há 33 anos, começou a desenvolver e aplicar metodologia nessa área com o objetivo de reduzir e otimizar o consumo de energia elétrica nas micro e pequenas empresas. 

Os benefícios da EE acarretam em menos custos aos empresários, melhores preços para os consumidores, ganho de competitividade aos empreendimentos e maior equilíbrio ambiental.

A tarefa pioneira do Sebrae RJ foi desenvolvida por equipe de técnicos, entre eles o engenheiro eletricista Ricardo Wargas, que lá trabalha desde 1983. Há 11 anos, é responsável pela gerência da Unidade de Inovação e Acesso à Tecnologia da instituição.

Ao longo desse período, Wargas atuou em programas e projetos de EE no estado fluminense, acompanhando todos os passos do Sebrae RJ nesse campo, inclusive, quando a instituição se tornou parceira do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Eletrobras Procel) da Eletrobras, da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e de outras instituições nacionais e internacionais. Participou e desenvolveu diversas ações, entre diagnósticos energéticos, cursos, palestras, missões técnicas, entre outras.

Como participante e protagonista da trajetória percorrida pelo Sebrae RJ no campo de EE, o engenheiro eletricista acumulou experiência, conhecimento e se tornou especialista no tema, sempre voltado aos pequenos negócios. 

Para Wargas, EE é uma das questões mais importantes da atualidade e é fácil entender porque está na pauta de chefes de Estado, dirigentes de grandes corporações mundiais, cientistas, formadores de opinião, entre outros. 

O tema também é fundamental para o Brasil, tanto que, recentemente, o governo criou mecanismos para reduzir as tarifas de energia elétrica. A decisão visa estimular a economia e aliviar custos do setor industrial.

Wargas é de opinião que a política energética nacional deveria instituir tratamento diferenciado (tarifas especiais) para os pequenos negócios, entre outros procedimentos. 

A maioria das micro e pequenas empresas paga tarifa de baixa tensão (BT), mais cara, do que energia de alta tensão, fornecida a empresas e indústrias de grande porte.

Ele representou o Sebrae RJ no processo de elaboração do Plano Nacional de EE (PNEf) e informa, satisfeito, que o resultado foi marcante, pois o terceiro capítulo do documento foi dedicado especificamente à questão da indústria de micro, pequeno e médio portes. 

O conceito de EE e o PNEf foram mencionados no Plano Nacional de Energia 2030, passo importante para o estabelecimento de tratamento diferenciado para os pequenos negócios, segundo Wargas. Confira a entrevista.

CSS : Qual a importância da Eficiência Energética (EE) no século XXI?

RW: A questão energética é um dos principais temas da atualidade, abordada por todos os presidentes de países desenvolvidos e emergentes, pois é estratégica para o desenvolvimento sustentável de todas as nações, envolvendo, inclusive, as grandes produtoras de petróleo. 

Vale lembrar, que, no momento do lançamento de sua primeira candidatura à presidência dos EUA, o então senador Barack Obama estabeleceu como uma de suas prioridades a busca por fontes alternativas de energia e a EE.

Ressalto que, principalmente no caso das micro e pequenas empresas (MPE), a questão energética é vital para o aumento da competitividade e fator crucial para a permanência e crescimento do empreendimento no mercado, ainda mais em um mundo globalizado, que possibilitou um aumento exponencial da concorrência.

CSS: Os pequenos negócios deveriam ter tratamento diferenciado na política energética?

RW: Sim, com certeza, inclusive considero esta questão fundamental, pois devido às diversas particularidades de operação dos pequenos negócios, onde as dificuldades de entendimento de informações técnicas por parte dos empresários dificultam a tomada de decisão, o fator de maior sucesso para a implementação de medidas de EE é a existência de políticas específicas.

Podemos citar alguns exemplos de tratamento diferenciado: a possibilidade de compra de equipamentos eficientes com custos diferenciados; acesso ou canais de interlocução com as concessionárias de energia, especializados no atendimento às MPE; programas continuados de capacitação de prestadores de serviço para atuar com abordagem especifica em EE para os pequenos empreendimentos; incremento de medidas de diferenciação de tarifas de energia. 

Com uma política energética diferenciada, a taxa de implementação das ações de EE seria, com certeza, muito maior.

CSS: - Qual o impacto do custo da energia nas micro e pequenas empresas? Os pequenos negócios pagam mais pela energia elétrica do que as grandes empresas e indústrias?

RW: O impacto do custo da energia elétrica em uma MPE varia de acordo com o segmento no qual está inserida. Em uma confecção de roupas, por exemplo, a energia elétrica representa, em média, 0,5 a 1,5% dos custos operacionais. Já em um pequeno hotel, a média oscila entre 5 a 15%.

Como na grande maioria das vezes as MPE estão enquadradas em um subgrupo tarifário de atendimento em baixa tensão, o preço médio do kWh é mais alto do que em uma grande empresa, que recebe a energia em alta tensão e faz, por conta própria, o rebaixamento da tensão, através de transformadores próprios instalados em subestações.

Vale lembrar que em alguns casos encontramos possibilidades grandes de economia de energia. Em alguns hotéis, por exemplo, encontramos potencial de economia nos sistemas de iluminação de 60 a 70%, Já nos sistemas de refrigeração encontramos potenciais na ordem de 10 a 25% e nos sistemas de climatização este potencial fica entre 10 a 50%.

CSS: É mais complexo para os empresários de pequeno porte adotar medidas de EE?

RW: A EE é uma temática complexa e nosso esforço é grande no sentido de mostrar que, apesar da complexidade, é um trabalho importante para a empresa, pois além do ganho econômico, através de uma possível redução da energia, existem diversos outros ganhos indiretos, que podem ser gerenciais, ambientais, tecnológicos, sociais ou operacionais. 

Nossa experiência tem nos mostrado que, muitas vezes, os ganhos indiretos superam, em importância, os ganhos econômicos. 

No caso de adequações de redes elétricas, por exemplo, o investimento vai além dos resultados de EE, pois incide diretamente na segurança e confiabilidade das instalações.

Para facilitar a adoção de medidas de EE pelo empresário, desenvolvemos um modelo de Diagnóstico Energético onde apresentamos as soluções, inclusive com informações sobre a possível economia de energia, o valor estimado do investimento e prazo de retorno simples. 

Em muitos casos, as medidas de EE têm custos bastante reduzidos, com retorno dos investimentos sendo obtidos em prazo inferior a um ano e, outras vezes, a questão maior é de boas práticas, ou seja, a realização de uma manutenção preventiva ou treinamento dos funcionários.

CSS: - Quais são as principais medidas que os empresários de pequeno porte podem adotar para reduzir o consumo energético?

RW: O primeiro passo é o empresário entender quais os principais aspectos que influenciam o uso da energia em sua empresa. 

Para isso elaboramos uma ferramenta on-line chamada 
Autoavaliação, que pode ser acessada a qualquer hora no site do Sebrae : 

www.sebrae.com.br - Serviços on-line - 

Uso Eficiente de Energia ou entrar no endereço: http://www.autoavaliacao.sebrae.com.br 

Após cerca de 20 minutos, o empresário terá uma noção geral sobre o que pode impactar o uso da energia elétrica em sua empresa.

Querendo entender melhor o que é EE, o empresário pode participar de nossas Clínicas Tecnológicas onde apresentamos, de forma genérica, lúdica e interativa, o que é Eficiência Energética e como ela pode impactar o processo produtivo da empresa.

Para receber informações técnicas mais precisas e específicas de sua empresa, recomendo ao empresário contratar a realização, por pessoal técnico competente, de um diagnóstico energético, onde serão analisadas as instalações do empreendimento, visando identificar possíveis perdas de energia, seja por uso inadequado de equipamentos, aparelhos com baixo rendimento, processos produtivos inadequados, que ocasionam gargalos de produção que trazem, consequentemente, perda energética, entre outros.

O diagnóstico energético apontará um cardápio de medidas para ganhos de EE, sendo que as medidas podem ser de boas práticas, como por exemplo mudança de hábito, manutenção preventiva ou de substituição ou absorção de novas tecnologias, que ocasionam um maior impacto e trazem interferências no processo produtivo.

A Autoavaliação é gratuita e tanto as Clínicas Tecnológicas como o Diagnóstico Energético podem ser realizados através do Sebraetec, que é um programa de subsídio financeiro do Sebrae que, no Rio de Janeiro, arca com 80% dos custos, ou seja, o empresário paga somente 20% do valor total da consultoria.

CSS: O Sebrae RJ desenvolveu, ao longo de 33 anos, uma metodologia de EE para os pequenos negócios, inclusive com diversos parceiros, entre eles a Eletrobras Procel. Quais são as características básicas dessa metodologia? Quantas empresas foram beneficiadas?

RW: Nessas últimas três décadas o Sebrae RJ teve diversos parceiros: 
a Eletrobras Procel (desde 1987); 
a GIZ- Agência Alemã de Cooperação Internacional GIZ (1995 a 2004); 
o Banco Mundial, na questão da Eficiência Energética em Companhias de Saneamento (2002); 
Carl Duisberg Gesellschaft - CDG (1999), no contexto da Cogeração de Energia; 
Grupo EVE do País Basco (1998), na questão de Capacitação Técnica; 
o Conselho Mundial de Energia, nos anos de 1997, 2000 e 2001, na questão de Indicadores de Eficiência Energética; entre outras instituições nacionais e internacionais.

A nossa principal atuação sempre esteve focada na disseminação da temática, ou seja, tornar as informações sobre EE o mais acessível possível ao empresário da MPE com o intuito de auxiliá-lo a tomar as melhores decisões, visando aumentar a eficiência no uso da energia e, com isto, aumentar a competitividade de sua empresa. 

Não é uma tarefa fácil, pois existem diversas barreiras técnicas, econômico-financeiras e culturais.

Em nossa última parceria com a Eletrobras Procel, aprofundamos muito as formas de disseminação das informações: aprimoramos as Clínicas Tecnológicas, incluindo a vertente lúdica e interativa; publicamos manuais setoriais com exemplos e depoimentos de empresas que implementaram a EE; elaboramos um kit de dicas de EE, que serve de apoio aos empresários, sendo que a grande maioria delas pode ser implementada diretamente pelos funcionários; montamos um banco de dados com informações de mais de 13,4 mil empresas; e desenvolvemos uma autoavaliação on-line, que pode ser acessada pelo empresário que queira entender quais os aspectos influenciam o uso da energia elétrica em seu empreendimento.

Sempre que me pedem para explicar a ação do P3E de forma bem sucinta, eu digo que nossa proposta é responder as três perguntas: 

O QUE GANHO COM A EE? QUANTO CUSTA, OU SEJA, QUAL SERÁ MEU INVESTIMENTO? COMO FAÇO?

Nos últimos dois anos, aproximadamente 900 empresas foram beneficiadas pelo P3E.

CSS: O custo da energia elétrica brasileira, fornecida principalmente por hidrelétricas, comparado com outros países, é razoável?

RW: Primeiro gostaria de lembrar que aproximadamente metade da matriz energética brasileira é considerada limpa, pois vem principalmente de hidrelétricas, e isso é excelente!

Já quanto ao custo, posso citar um estudo apresentado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), durante a Rio + 20, que identificou que o brasileiro paga R$ 329 por megawatt-hora (MWh), sendo o preço médio mundial de R$ 215 MWh. 

Nos países do grupo BRIC (Brasil/ Rússia/ índia/ China), o custo cai para R$ 140. Existe, também, uma carga tributária muito grande embutida no MWh brasileiro.

Além disso, o custo varia conforme o tipo de consumidor. No caso das MPE, geralmente a energia é fornecida em baixa tensão (BT) e a tarifa costuma ser mais cara. Considerando um setor típico de MPE, podemos citar como exemplo uma padaria comum de bairro. 

Nesse caso seu principal componente consumidor é o forno de cozimento dos pães, que, em média, representa 60% do consumo total da padaria, e por ser elétrico, tem sua instalação feita em BT, com tarifa comercial comum, ou seja, sem diferenciação de valor.

CSS: O Brasil está trilhando o caminho da Eficiência Energética? Estamos atrasados ou avançados nesse sentido?

RW: Eu diria que estamos na metade do caminho, porém ainda muito atrasados em relação a países como Japão, Alemanha, países escandinavos e os Estados Unidos. 

O Brasil teve seus principais programas de conservação de energia iniciados em meados dos anos 70, focando principalmente a questão de substituição do uso de óleo diesel e aumento da eficiência com uso de óleo combustível em processos térmicos. 

Foi um grande esforço nacional, principalmente traduzido pelo Programa Conserve e pelas diretrizes do Programa de Mobilização Energética - PME, onde o sistema Sebrae desenvolveu o Programa Proene.

Contudo creio que um dos principais marcos para o incremento das ações de EE no Brasil foi a criação, em dezembro de 1985, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o Procel, coordenado pela Eletrobrás, que vem consolidando, há mais de 20 anos, uma ampla cultura de EE em todos os segmentos da sociedade. 

O Sebrae/RJ tem realizado parcerias com a Eletrobras Procel, desde o ano de 1987, com resultados expressivos, porém podemos dizer que é um grande desafio, que precisa ser constantemente reforçado.

Outro marco importante e mais recente do país foi a elaboração do Plano Nacional de Energia 2030, que incorpora o tema EE em seus estudos e menciona a elaboração do Plano Nacional de EE (PNEf). 

O Sebrae/RJ participou ativamente da elaboração do PNEf e contribuiu significativamente para a inclusão e desenvolvimento de um capítulo específico sobre a indústria de micro, pequeno e médio portes (Capítulo III). 

Isso, sem sombra de dúvida, foi um passo importante em nossa luta para conseguir indicadores energéticos estratificados e específicos da MPE.

CSS: Qual a sua opinião sobre as fontes renováveis e limpas de energia, tais como a eólica e solar? Elas são viáveis e podem ser vantajosas para os pequenos negócios?

RW: Considerando como fontes energéticas distintas a energia solar e a energia eólica, são vantajosas, porém ainda não totalmente viáveis para as MPE. 

A energia solar para aquecimento de água (uso em banhos, piscinas, etc) tem sido cada vez mais utilizada em hotéis, pousadas e clubes. 

Seu custo inicial é amortizado em torno de quatro anos, por meio de economia na conta de energia elétrica.

No caso da energia fotovoltáica e eólica - já temos, inclusive aqui no Estado do Rio de Janeiro, empresas nacionais fabricando aerogeradores pequenos - ainda precisamos avançar mais na questão da absorção de tecnologias, que sejam viáveis para os pequenos negócios, como já ocorre na Europa. 

Certamente ações de políticas de subsídio para uso dessas tecnologias também vão avançar. Não tenho dúvidas de que as energias renováveis darão uma contribuição cada vez maior e essencial à matriz energética brasileira.

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Plano de redução de tarifas não se sustenta

Um dos maiores especialistas brasileiros do setor de energia faz sérias críticas ao plano da presidente Dilma Rousseff para baixar as tarifas de eletricidade. Para Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e ex-diretor da Petrobras, que concedeu entrevista para a CBN, a medida não se sustenta porque o País não desmontou “a máquina de fazer aumentos” no setor energético.


“Em uma década seguida conseguimos a proeza de fazer com que 60 milhões de brasileiros paguem uma das maiores tarifas do mundo”, afirma Sauer. 

Ele cita os recentes aumentos autorizados para consumidores do Rio de Janeiro e Espírito Santo, de 13% e 11% respectivamente. “Só estes exemplos mostram que não haverá queda de 18% nas tarifas”.

Para ele, um dos grandes males do País é a tarifa de energia. “A situação é bem mais complexa do que esta vontade do governo federal de, depois de dez anos de explosão tarifária, procurar uma solução parcial para o problema”.

Sauer elogia a decisão de empresas como a Copel, Cesp e Cemig de não aderirem ao plano. 

“É uma decisão lúcida, pois este é um processo improvisado, mal discutido, gestado em gabinete e proclamado como solução nacional”, afirmou, lembrando que, de qualquer maneira, a ideia da redução nas tarifas será bancada por recursos públicos.

O especialista explica que faltou planejamento ao País para lidar com as dificuldades no setor energético e hoje é preciso gastar R$ 1 bilhão por mês para manter a operação de termoelétricas. “Continuamos com um problema seriíssimo, convivendo com apagões e apaguinhos. A segurança energética está ameaçada”.

Sauer afirma que é lamentável que um governo presidido por uma pessoa que se credenciou ao cargo por sua atuação na área “conduza o Brasil para um novo atoleiro no setor de energia elétrica”. “Se chover muito pouco em 2013, nem o racionamento pode afastado”.

A reação de quem entende do assunto não se resumiu às considerações de Sauer. Um grupo de especialistas em energia, liderados pelo ex-presidente da Eletrobras no governo Lula, Luiz Pinguelli Rosa, enviou carta para Dilma pedindo que recue em relação às mudanças previstas. 

O texto diz que há “grande apreensão sobre consequências que, com grande probabilidade, pode decorrer das alterações”.

Entre as consequências estão riscos regulatórios (contratos que poderiam ser contestados) e sistêmicos (como a ocorrência de apagões). O grupo pede que Dilma revogue as medidas já anunciadas.

O Paraná vai perder R$ 450 milhões em receitas tributárias se forem aplicadas as medidas impostas pelo governo federal. Além disso, o prejuízo para a Copel deve chegar a R$ 200 milhões. 

“Isso mostra que o governo federal agiu de maneira precipitada, impondo grandes sacrifícios aos Estados e às empresas de energia”, afirma o governador Beto Richa.

De acordo como ele, os alertas feitos pelos especialistas são a prova cabal de que a iniciativa do governo federal não tem sustentação e pode provocar graves problemas ao desenvolvimento do Brasil.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sustentabilidade e eficiência energética são vitais para o setor


Realizado pelo Senai e o Estado de Baden-Württemberg, simpósio reuniu especialistas do Brasil e da Alemanha para trocar experiências em inovação para a indústria da construção
clique para ampliar clique para ampliarSimpósio de Sustentabilidade e eficiência energética na construção civil atraiu especialistas em Curitiba (Foto: Mauro Frasson)
















Os instrumentos e tecnologias para a construção civil sustentável, com baixo consumo de energia, e as soluções inovadoras que contribuem com a promoção e divulgação desse tipo de atividade no Brasil, ressaltando a importância da utilização de fontes de energia renováveis. 

Esses foram os temas do Simpósio Brasil – Alemanha: Construção sustentável com Eficiência Energética, realizado nesta terça-feira (20), na sede da Fiep do Jardim Botânico, em Curitiba.

Realizado pelo Senai no Paraná em parceria com Ministério de Finanças e Economia do Estado de Baden-Württemberg , na Alemanha, o evento reuniu os principais engenheiros e arquitetos do Brasil e da Alemanha, além de empresários, estudantes e representantes de entidades sindicais da construção civil.

Fruto da parceria existente, desde 1996, entre o Senai e o Baden-Württemberg, o simpósio foi, também, uma oportunidade para promover o intercâmbio entre os dois países com foco na sensibilização e capacitação das empresas que atuam na indústria da construção civil aqui no Paraná.

O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, ressaltou a importância de soluções inovadoras visando eficiência energética e a utilização correta de recursos como vital para a sustentabilidade de qualquer país.

“A crescente industrialização demanda a busca de energias renováveis, bem como novos processos que preservem suas fontes”, afirmou ele. 


Energia à moda da casa



O ano de 2012 foi marcado por muitas medidas do Governo Federal para o setor energético brasileiro. 

Além do anúncio feito em setembro pela Presidente Dilma Rousseff sobre a redução das taxas de energia para residências, comércios e indústrias que vão variar entre 16% e 28% a partir de 2013, já neste ano, o brasileiro contará com mais um incentivo para economizar em sua conta e ainda, contribuir para a manutenção dos recursos não renováveis geradores de energia no país.

A Resolução Normativa (RN) 482 de 17/04/12, publicada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) regulamenta a micro e mini produção de energia, ou seja, proprietários de residências, comércio e indústria poderão produzir sua própria energia e, a maior novidade, é que as concessionárias devem adequar seus medidores a um modelo que permita que a energia gerada e não consumida no local possa ser enviada à rede para consumo em outro ponto e gerar créditos para o consumidor na próxima fatura.

As distribuidoras de energia tem até 13/12/12 para se adequar e publicar as normas técnicas relacionadas ao novo sistema em seus endereços eletrônicos.

Entenda o Sistema de Compensação de Energia – O consumidor poderá instalar um sistema gerador de energia de fonte renovável com base em energia solar, por exemplo, com potência de até 100 kW – Microgeração Distribuída – ou central geradora com potência superior a 100 kW até 1 MW – Minigeração Distribuída – ambos conectados à rede elétrica.


Durante o mês, a unidade (casa, empresa ou indústria) é abastecida pela energia gerada por sua própria fonte sustentável de energia e a noite ou nos dias mais nublados a energia fornecida pela concessionária entra em funcionamento, complementando a energia solar. Neste período, toda energia produzida que não for consumida na unidade, entra no sistema de Compensação de Energia Elétrica, ou seja, o excedente é lançado à rede de distribuição e se torna um crédito que pode ser utilizado nas próximas faturas por até 36 meses. Para isso, o consumidor deverá trocar o medidor de energia convencional por um medidor bidirecional, que registra a energia consumida e a energia injetada na rede.

Essa energia excedente também pode ser revertida em créditos para abater o consumo de outras unidades consumidoras previamente cadastradas do mesmo proprietário ou para unidades cujos proprietários se reúnam em uma associação.

No caso do crédito exceder o valor a pagar na conta de energia, ficará estabelecida uma cobrança mínima referente ao custo da disponibilidade do sistema de distribuição.

Entendendo o Sistema Solar Conectado ou Grid Tie -Para o consumidor que pretende instalar um sistema gerador de energia de micro ou minigeração distribuída a partir da energia solar, o sistema fotovoltaico Conectado ou Grid Tie precisa de alguns componentes básicos para garantir o funcionamento:

Painel Solar é o componente responsável pela captação da luz solar e é formado por várias células fotovoltaicas que usam o silício como matéria-prima. A quantidade de painéis solares varia de acordo com oconsumo de energia. Para uma residência com consumo de 200kWh/mês são necessários de 6 a 8 painéis de 1,7 m² cada.

Já os inversores transformam a energia elétrica vinda dos painéis solares em corrente alternada para ser usada na rede doméstica. Além disso, os inversores fazem o sincronismo da energia solar com a rede elétrica e o balanço entre a fonte solar e energia da rede convencional.

Além destes componentes, uma estrutura de alumínio é responsável pela fixação dos painéis no telhado garantindo a inclinação no ângulo adequado para a melhor captação da luz solar.

A Neosolar Energia há dois anos especializou-se em soluções em energia solar e, por meio de consultorias customizadas, seja para uso doméstico, rural ou voltado para a agroindústria, consegue adequar seus produtos às mais variadas necessidades.

É a única distribuidora autorizada pela Jetion Solar – empresa chinesa com sedes nos EUA e Europa, reconhecida pela qualidade dos painéis fotovoltaicos que produz – para revenda na América do Sul e já possui kits de instalação de energia solar para micro ou minigeração distribuída à venda em seu site.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ABilumi entrega minuta de Acordo Setorial para logística reversa de lâmpadas

Documento visa determinar as responsabilidades das partes envolvidas e regulamentar o processo
Da redação


sxc.hu













A Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (ABilumi) entregou no último dia 1º de Novembro sua minuta de Acordo Setorial para Logística Reversa de lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio, mercúrio e luz mista, atendendo ao Edital de Chamamento nº 01/2012 do Ministério do Meio Ambiente.

A logística reversa para lâmpadas, que contemple todas as etapas do ciclo de vida do produto, é uma das determinações da Lei nº 12.305/10 (e o Decreto 7.404/10), que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos e criou diretrizes para a gestão do lixo no País que devem resultar em mudanças nos padrões de comportamento e consumo da sociedade, além de uma série de metas a serem cumpridas pela União, Estados e municípios.

Na minuta do Acordo Setorial estão determinadas as responsabilidades de cada parte envolvida, desde fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de lâmpadas, em receber e dar destinação adequada às lâmpadas fluorescentes compactas e tubulares, a vapor de mercúrio, a vapor de sódio e a vapor metálico.

Em comunicado oficial, a ABilumi declarou: 

“O sucesso da iniciativa depende que somente seja permitido colocar novas lâmpadas no mercado as empresas que se comprometerem financeiramente com as iniciativas de logística reversa no início do ciclo de vida do produto”.

“Para isso, é essencial a criação por parte do governo de um mecanismo institucional que possa aferir este compromisso na entrada das lâmpadas no mercado, por meio dos sistemas de importação (importação) e sistemas de emissão de nota fiscal eletrônica (na produção nacional)”, afirmou a entidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Agencia chinesa apoia estudo que prevê maior eficiência energética e EUA na liderança em petróleo

Autossuficiência dos EUA viria até 2017 do aumento da produção de fontes não convencionais e tradicionais, da redução do consumo e de novas tecnologias


O destaque conferido ao estudo da Agência Internacional de Energia que prevê a volta dos EUA ao status de maior produtor de petróleo do mundo até 2017, além de realçar a “mais brilhante perspectiva” para a produção do Brasil, omite um dado crucial do relatório: os resultados dos programas de aumento da eficiência energética, fator decisivo da autossuficiência dos EUA vislumbrada pela entidade.

O cenário da IEA, sigla em inglês dessa agência baseada em Paris e formada pelos principais países importadores de petróleo, tem mais de uma implicação, todas com potencial explosivo. 

A desimportância gradativa da energia importado para os EUA, o maior consumidor de petróleo do mundo, insere desdobramentos sobre os preços, portanto, sobre a escala dos investimentos futuros, e sobre a geopolítica.

A presença militar dos EUA em áreas de risco do Oriente Médio pode perder relevância estratégica, aumentando, por sua vez, a da China, o segundo maior importador mundial de petróleo, além de número 1 no ranking global de emissores de CO2, seguida dos EUA e da Índia.

Sintomaticamente, o primeiro estudo do Energy Research Institute, ligado ao National Development Reform Comission da China, divulgado esta semana, não só corrobora o cenário apontado pelo World Energy Outlook da IEA sobre os EUA, como também reforça a recomendação do consumo mais eficiente dos combustíveis fósseis (petróleo e carvão, o principal insumo utilizado na geração de eletricidade na China).

“China deve mudar o atual sistema de gestão de energia ‘orientado pela oferta’ para ‘orientado pela demanda’”, diz o documento, cujo propósito é o de subsidiar o governo chinês com informações sobre produção e consumo de insumos energéticos hoje dependentes da IEA e também da EIA (Energy Information Administration), agência dos EUA.

É o que a IEA afirma que está em curso nos EUA, levando o país a se libertar das importações de petróleo nesta década e a se tornar exportador líquido, sobretudo de gás, até 2030. 

E nós? No mapa da IEA estamos bem com a produção de petróleo. E quanto à eficiência energética? Não diz. Mas de outra fonte sabemos que estamos mal.

Produção e eficiência

A autossuficiência de energia dos EUA viria do aumento da produção de petróleo e gás de fontes tradicionais e não convencionais (como a exploração avançada de reservas de xisto), numa proporção de 55%. 

Os restantes 45% viriam de programas de maior eficiência do consumo dos insumos fósseis, de “energias limpas” (etanol, nuclear, solar e eólica) e novas tecnologias, como de iluminação e de transportes, inclusive outro padrão de baterias para carro com motor elétrico.

O espaço de oportunidades é gigantesco, embora muita coisa esteja em processo, sem ter chegado ao mercado. Mas é questão de tempo. 

O Departamento de Energia recebeu boa parte dos US$ 750 bilhões que o governo Barack Obama aprovou no Congresso em 2009 contra a recessão – e vem funcionando desde então como um fundo de private equity de projetos de tecnologia de ponta de universidades e de empresas.

“Revolução já começou”

O leque de diretrizes e predições estampadas no estudo do Energy Research Institute da China aponta o cenário à vista. 

“O mapa para o desenvolvimento de veículos a motor da China deve ser revisado”, diz o relatório. 

“A economia de baixo carbono vai dominar o futuro da tecnologia de energia. 

A energia renovável, embora representando pequena parcela do mix de energia, está crescendo gradualmente.”

O futuro, para a agência chinesa de energia, está traçado. “Uma nova rodada de revolução industrial em torno do desenvolvimento e da utilização de novas energias e energias renováveis já começou.”

Por ela já há disputas comerciais. Os EUA impuseram tarifas sobre a importação de placas chinesas de energia solar, sob a alegação de práticas desleais de comércio, e a União Europeia avisou que cogita acompanhar tais sanções. 

O Congresso dos EUA quer impedir o acesso da China às novas tecnologias. Entretido pela crise, o noticiário pouco fala disso, sem atentar para a “nova economia” em formação.

Indolência brasileira

Preocupante para o Brasil não é o que o estudo da agência chinesa prevê: a intensificação do nacionalismo pelos recursos energéticos. 

“Isto não só irá impactar a oferta global de energia no futuro, mas também dará origem a conflitos geopolíticos e a disputas regionais por fontes de energia”, diz o relatório chinês.

No Brasil, o Estado é titular absoluto dos recursos naturais. Mas há uma injustificável indolência com a eficiência energética, base dos desenvolvimentos tecnológicos que tendem aos poucos a reduzir o consumo de petróleo nos transportes e na indústria.

Das 12 maiores economias, somos a 10ª em eficiência energética, salvos do último lugar graças ao etanol e às hidrelétricas. Voltaremos ao assunto.

Eletrobras energizada

Embora seja gratificante o reconhecimento da IEA de que o “boom do petróleo no Brasil ganha ritmo”, é inquietante a falta de um plano abrangente para economizar energia, de lâmpadas e eletrodomésticos mais eficientes à utilização de fontes renováveis. 

O governo forçou o corte da conta de luz, mas pode em paralelo recriar a Eletrobras.

No fim de 2006, o presidente Lula soube por Luciano Coutinho, hoje presidente do BNDES, de ideia estudada no Instituto Talento Brasil de fazer a Eletrobras um grupo de energia, fora petróleo, à imagem da Petrobras. 

As subsidiárias seriam consolidadas na holding, para fortalecer a estrutura de capital, com governança profissional e o seu relançamento no mercado de capitais.

Essa “nova Eletrobras” combinaria o fomento à pesquisa com o apoio a startups do setor energético, além da gestão das velhas e novas usinas hidrelétricas. A economia precisa de alguma ousadia que chacoalhe os investidores. A reforma tarifária traz a oportunidade.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Economia de energia: um assunto para tirar do standby

Parte do desperdício de energia ocorre em situações às quais não prestamos atenção


Muita gente acha que economizar energia é uma tarefa difícil. Mas mudar alguns hábitos simples e pequenos pode ajudar você a diminuir seu consumo energético e, consequentemente, sua pegada ecológica no planeta. 

Uma sugestão prática de como começar é tirando os equipamentos da tomada quando estiverem fora de uso.

Mas por quê? Aparelhos como TV, DVD, ar-condicionado, rádio-relógio, home theater, decodificadores de TV a cabo, sistemas de segurança e micro-ondas são alguns dos equipamentos que podem consumir uma quantidade considerável de energia se a luzinha que indica o modo standby estiver acesa.

Não é a luzinha em si que gasta energia, seu consumo é mínimo. 

O gasto principal da função standby vem da energia consumida pelo sistema para manter alguns dispositivos funcionando, ainda que só em parte. Permanecer com um aparelho em modo standby significa deixar o aparelho pronto para o uso ou ativação rápida por meio de controle remoto ou botões no próprio aparelho. 

Isto é, ele está parcialmente ligado, esperando para ser acionado. Esse tipo de consumo, de acordo com a AES Eletropaulo, distribuidora de energia elétrica da região metropolitana de São Paulo, pode representar de 15% a 40% do consumo médio total de energia dos equipamentos de uma residência, por exemplo.

Antonio Mendes da Silva Filho, doutor em Ciência da Computação da Universidade de Pernambuco (UFPE), em um artigo sobre o consumo de energia no modo standby expõe dados interessantes sobre alguns aparelhos, como é o caso do micro-ondas, “[...] que durante quase um terço do ano consome mais energia no modo standby (mantendo seu relógio e teclado por toque ativo) do que cozinhando ou esquentando alimentos”. 

Leia aqui o artigo na íntegra.

Além de evitar deixar os aparelhos em modo de espera, há outras dicas que podem ser úteis para a economia e consumo mais consciente de energia em sua casa, escritório ou empresa. Confira:

- Dê preferência a produtos com o Selo Procel, que qualifica aqueles que têm maior eficiência no consumo de energia. A classificação vai do A, que é o mais eficiente, até o E, com menos eficiência. Para importados, procure o selo Energy Star.

- Mantenha sua geladeira afastada do fogão, do contrário ela gastará mais energia elétrica para compensar o calor transmitido pelo equipamento.

- Passe a maior quantidade possível de roupas de uma vez, utilizando a temperatura indicada no ferro para cada tipo de tecido.

- Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes ou LED, que são mais eficientes, duráveis e econômicas.

- Desligue o chuveiro enquanto ensaboa o corpo ou lava os cabelos.

- Ao cozinhar, retire todos os ingredientes de uma só vez da geladeira.

- Faça a revisão da vedação de sua geladeira para evitar que o frio saia e o calor de fora entre, o que exigirá que a geladeira trabalhe mais para resfriar.

- Desligue o computador na hora do almoço.

- Evite acender lâmpadas durante o dia. Para clarear a casa, abra as janelas e aproveite a luz do dia o máximo que puder. Apague a luz em ambientes onde não há ninguém.

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