segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Brasil ocupa o 6º lugar no ranking mundial de coletores solares

A eficiência energética dos coletores solares justificou mudanças na legislação em 25 cidades brasileiras, que tornaram obrigatória a instalação dos equipamentos para certos tipos de edificação.
André Trigueiro














Num país tropical, onde o sol brilha em média 280 dias por ano, por que não aquecer a água do banho usando a mais poderosa de todas as fontes de energia?

Um metro quadrado de coletor solar produz por ano energia equivalente a 215 quilos de lenha, 66 litros de óleo diesel, 55 quilos de gás ou 56 metros quadrados de área inundada de uma hidrelétrica. Basta que o sol incida sobre uma plaquinha para que tudo aconteça.

“O coletor solar ele é construído como uma serpentina de tubos de cobre e normalmente com aletas de alumínio pintadas de preto para aumentar a absorção da energia solar. A temperatura da água atinge facilmente 60 graus. A temperatura média de funcionamento é em torno de 45 graus, muito confortável para um banho”, explica o diretor de engenharia da Tuma Industrial, Sérgio Augusto Vasconcelos.

No aquecido mercado mundial dos coletores solares, o Brasil ocupa hoje a 6º posição. Os equipamentos instalados já ocupam uma área equivalente a 900 campos de futebol. São ao todo 2,5 milhões de coletores divididos assim: 72% aquecem a água nas residências, 17%, piscinas, 9% abastecem o comércio e 2%, a indústria.


Existem hoje no Brasil 200 fábricas empregando 30 mil pessoas, e de suas linhas de montagem saem 500 mil coletores solares por ano. Parte da produção é exportada para 10 países. A curiosidade é que nenhum desses dez países tem mais sol que o Brasil.

Os equipamentos duram em média 15 anos. A eficiência energética deles justificou mudanças na legislação em 25 cidades brasileiras, que tornaram obrigatória a instalação de coletores solares para certos tipos de edificação.

Belo Horizonte não tem lei sobre o assunto. Nem precisa. A cidade já é a capital brasileira dos coletores solares. Há equipamentos instalados em mais de três mil edifícios, e é fácil constatar isso quando se vê a cidade do alto.

Um negócio lucrativo para construtores e moradores. Todos os 70 prédios que a empresa de Ítalo Aurélio Gaetani construiu, nos últimos 20 anos, receberam coletores. Ele fala sobre os custos da obra. “Varia de obra pra obra, mas sempre um valor inferior a 1%”.

No apartamento da arquiteta Geise Martins, sol é sinônimo de economia. “A primeira coisa é o conforto, é saber que a gente não está consumindo energia”.

Mas e nos dias em que o sol não aparece? Por quanto tempo a água fica quente? “Isso varia o tamanho do boiler do reservatório de cada um. O nosso demora uns dois dias. Normalmente dois dias sem chuva e, e, o período de férias tem muito morador viajando dá até uns três dias, depende do uso”, conta a arquiteta.

O problema ainda é o preço do equipamento. O kit completo custa aproximadamente R$ 1,7 mil contando com a instalação. Uma família de quatro pessoas, que toma banho quente todo dia, recupera o que pagou em, no máximo, três anos.

A energia solar já chegou também nas casas mais simples. A situação começou a mudar com uma portaria do Governo Federal que tornou obrigatória a instalação de coletores solares em habitações populares.

“Das 400 mil casas feitas, instaladas no Brasil, 10% recebeu o aquecimento solar. Os resultados foram tão positivos que a partir de 2011 então o aquecimento solar foi obrigatórias agora para todo o Brasil, mas apenas para as residências uni familiares, aquelas casas que tem apenas uma família morando”, fala a professora do centro universitário Una/MG, Elizabeth Marques Pereira.

O benefício dos coletores solares é ainda maior em comunidades de baixa renda como em Nova Lima, a 20 quilômetros do centro de Belo Horizonte. A economia na conta de luz pode chegar a 35%. Ou seja, toda vez que se toma banho quente, com a ajuda do sol, é mais dinheiro que sobra pra outras coisas.

A conta de luz da monitora escolar, Patrícia dos Santos Silva Alves, que era de R$ 183 por mês, passou para uma média de R$ 58. Patrícia conta como investiu o dinheiro que sobrou. “Investi na minha casa, meu marido comprou uma moto, parcelada, mas comprou, já ajuda. A gente fez outras melhorias em casa”.