sexta-feira, 24 de abril de 2015

Blairo: “País perde competitividade com atual matriz energética”

Segundo o Senador mato-grossense, o Brasil está muito aquém de outras nações quando o assunto é produção energética. Para ele, o viés ideológico de alguns setores da sociedade atrapalha o avanço das discussões

Edição: Sonir Boaskevicz

space
space
Blairo: “País perde competitividade com atual matriz energética”
space
space
space
space
space
(Brasília) - Durante sessão na Comissão de Infraestrutura no Senado (CI), na quarta-feira (22.04), foi realizada audiência para apresentar o resultado de pesquisa feita pelo Data Senado, em parceria com a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, sobre as opiniões dos brasileiros acerca de políticas energéticas adotadas no Brasil.



Os números apontam que a população anseia por mudanças no setor, já que 97% declarou preocupação com as questões climáticas e 96% com a poluição do ar. 

Para Thiago Cortez Costa, assessor da Secretaria de Transparência do Senado Federal - responsável pela apresentação da pesquisa-, em outros países até as discussões sobre o tema são negadas. 

“Eles negam o debate para evitar terem que mudar o padrão de desenvolvimento em seus países. Diferente do Brasil que a própria população quer essas transformações e esses projetos que gerem energia limpa”, disse.

Segundo consta, 85% dos entrevistados concordam que o País invista mais em energia eólica e solar, e, ainda, que as concessionárias de energia devam usar parte dos seus lucros para financiamento de projetos de avanço tecnológico nesses tipos de energia. 

Outros 76% defendem que parte dos impostos arrecadados pelo Governo Federal também sejam aplicados em políticas de incentivo à energia limpa.

Para o senador Blairo Maggi a questão vai além. 

Segundo cita, é preciso que a população entenda a viabilidade de cada iniciativa, já que o brasileiro ainda paga um alto preço pelo modelo adotado quando o assunto é meio ambiente.

“Nós, cidadãos brasileiros, pagamos caro pela política que foi estabelecida em nome da questão ambiental. Tudo em detrimento da produtividade e do ganho de escala desses projetos. 

Ocorre que o Brasil está em larga desvantagem em relação a outros países, quando têm matrizes energéticas ou produção de energia mais barata”, declarou Maggi.

Blairo lembra que é preciso repensar a forma como as informações norteiam as opiniões. A imprensa, segundo cita, tem papel decisivo nesse contexto.

Reserva de água - “A imprensa, quando bombardeia, por exemplo, as construções de hidrelétricas, influencia diretamente na opinião da população. Porém, o mundo inteiro usa água de chuva, e reserva para depois usar, quando não tem mais. 

No Brasil, infelizmente, ainda não tivemos esse entendimento. Aqui quando a ‘reservação’ é permitida, o empresário tem que ter muita persistência para vencer as sucessivas liminares e conseguir gerar energia”, desabafou.

Maggi encerrou sua participação no debate lembrando o caos vivido pelo setor nos últimos meses, como na cidade de São Paulo. 

“Penso que precisamos de áreas maiores para termos lagos que comportem a demanda em época de escassez de chuvas, por exemplo. 

Não tivemos um racionamento geral há alguns meses por que as termoelétricas foram acionadas, mas, por isso, o custo da energia no Brasil triplicou”, explicou.

A pesquisa - O Data Senado ouviu 1166 pessoas, em diversos estados brasileiros, por questionário feito via telefone, com os registros da Anatel. 

Ficou constatada a tendência do brasileiro em pagar mais pela energia que consome quando o custo maior estiver ligado à geração de energia limpa, à eficiência energética e da própria rede elétrica.